País tem maior índice de autônomos em 9 anos

Brasileiros buscam “plano B” para fugir da crise

Por Gabriel Callegari

O índice de trabalhadores que optaram por trabalhos autônomos atingiu 19,8%, equivalente a 4,5 milhões e é o maior desde 2006. segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de agosto deste ano. Com o recente aumento dos preços dos produtos em diversos setores da economia, a procura por renda mensal extra se mostra cada vez maior entre os brasileiros. Este salto nos números se deve à alta na inflação, fator determinante para que essa parcela da população recorresse a um “plano B” para elevar os rendimentos mensais.

A administradora de empresas Normanda Lícia Adam, 29 anos, que atualmente trabalha com carteira assinada em uma empresa de climatização e é artesã fora do horário comercial, é o exemplo de que nestes últimos meses, em muitos casos se faz necessária uma segunda fonte de renda. “Com a alta dos produtos alimentícios, medicamentos e vestuário, não sobra alternativa a não ser buscar novas fontes de renda para amenizar esses gastos excessivos”.

Normanda conta que, para suprir seus gastos mensais, além de trabalhar durante oito horas diárias na empresa em que é administradora de serviços, usa cerca de quatro horas no período noturno para produzir artigos para bebês e decoração de festas infantis em um ateliê, chamado de Vintage, que mantém em casa. A jovem explica que decidiu começar a confeccionar estes produtos após notar que tinha facilidade com trabalhos manuais. Ela conta que, além de gostar muito do que faz, encontrou na atividade uma oportunidade para alavancar sua renda, que, dependendo do mês, pode aumentar até R$ 1,5 mil.

Designer cria grife plus size em busca de um plus nos rendimentos

A designer editorial Vanessa Dal Rovere, 35 anos, também optou por unir suas habilidades e gostos ao empreendedorismo. Ela, que trabalha durante oito horas diárias em uma editora de livros, conta que nas horas vagas exerce as funções de cabeleireira e costureira. Segundo a designer, ela decidiu fazer o curso de cabeleireira por curiosidade e o de corte e costura, veio da vontade de montar uma grife de roupas plus size, chamada de Chubbynup.

Vanessa diz que, como autônoma, dedica-se aos trabalhos durante todo o final de semana. “Como costureira, gasto 12 horas aos sábados e mais algumas aos domingos. Em média, levo de seis a oito horas para produzir um vestido, desde o desenho até o acabamento. Já como cabeleireira, caso faça algum processo capilar em mim ou em outra pessoa, precisa ser após as 21h, se for de segunda a sexta-feira, ou divido o tempo do final de semana com as atividades de corte e costura”, relata.

Com estes trabalhos, além das vendas das peças que produz e os cortes, colorações, hidratações e escovas que faz em suas clientes, a microempreendodora diz que chega a economizar até R$ 500 por mês, uma vez que ela mesma pode fazer suas próprias roupas e também cuidar dos próprios cabelos sem sair de casa, sugerindo assim, ser a economia a maior vantagem de trabalhar como autônoma.

O índice poderá aumentar ainda mais

Segundo o economista Francisco Ferraz, é comum que em tempos de crise, apareçam cada vez mais trabalhadores autônomos. Para ele, a alta do desemprego acarretada pela crise, faz com que a classe trabalhadora ache uma saída principalmente nas áreas de serviços. Ferraz ainda aponta que, se a crise continuar, a tendência é que esta modalidade de rendimento aumente cada vez mais.

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