Paraná Clube termina a temporada de forma frustrante

Falta de planejamento novamente leva o Tricolor ao insucesso

Por Guilherme Almeida

O ano termina de maneira decepcionante para a torcida do Paraná Clube, com o time mais uma vez não atingindo os objetivos que traçou. A temporada, que começou com promessa de briga pelo título no Campeonato Paranaense e acesso na Série B, encerra-se com fracas campanhas tanto no cenário estadual quanto no nacional.

A primeira competição disputada pelo Tricolor foi o Campeonato Paranaense, em que a equipe estreou em casa, vencendo o Prudentópolis por 3-1. Porém, ao longo da disputa, o time alternou altos e baixos, terminando a primeira fase na sexta colocação, com cinco vitórias, três empates e três derrotas. Na fase quartas de final, o Paraná enfrentou a equipe do Operário, futuro campeão. Empate por 0-0 em Curitiba e derrota por 3-0 em Ponta Grossa fizeram o time ficar pelo caminho precocemente.

Na Copa do Brasil, a equipe novamente não teve vida longa. Enfrentando o modesto Jacuipense-BA pela primeira fase, mais uma eliminação. Vitória por 1-0 fora de casa e derrota pelo mesmo placar em Curitiba levou o jogo aos pênaltis, com a equipe baiana vencendo por 5-4, provocando uma crise no clube, com a demissão do então treinador, Luciano Gusso; e a pressão interna de diretores e conselheiros para a renúncia do presidente, Rubens Bohlen.

Pressionado e sem apoio, Bohlen renunciou no final de março. O grupo denominado “Paranistas do Bem” assumiu, prometendo o aporte de R$ 400 mil por mês para manter os salários em dia, na tentativa de evitar as greves e constantes reclamações de atrasos salariais, recorrentes no clube. Para o lugar de Bohlen, entrou o vice-presidente Luis Carlos Casagrande, o Casinha.

Para a disputa da Série B, o Paraná reformulou sua equipe, contratando mais de 30 jogadores e apostando no experiente Nedo Xavier para comandar o time no certame. O clube iniciou bem a trajetória, com triunfo sobre o Ceará na Vila Capanema. Mas a falta de entrosamento, aliada ao fraco desempenho dentro de casa, fizeram o time brigar sempre no meio da tabela.

Os maus resultados derrubaram Xavier, que comandou o clube em 11 jogos, com três vitórias, três empates e cinco derrotas. Em seu lugar, a direção apostou no jovem Fernando Diniz, que vinha de boas campanhas no interior paulista.

O treinador até conseguiu fazer a equipe jogar um bom futebol, priorizando o toque de bola; porém, a campanha irregular fez Diniz ser demitido, após derrota em casa para o Atlético-GO, totalizando 17 jogos no comando técnico. Fernando Miguel, membro da comissão técnica permanente foi efetivado para comandar o clube nos últimos 10 jogos. Com o campeonato tendo se encerrado no último Sábado (28), o Tricolor da Vila encerrou a competição na 13 º colocação, com 47 pontos ganhos, tendo obtido 12 vitórias, 11 empates e 15 derrotas.

Como mostram os números, o desempenho do clube na temporada de fato, não foi satisfatório. Segundo o jornalista e cofundador do site Redação em Campo Guilherme Moreira, um dos erros da direção foi trazer Xavier e relutar demiti-lo, já que o mesmo não conseguiu implantar um padrão de jogo no time.

Outro fator apontado por Moreira foi o fato de a montagem do elenco ter ficado somente a cargo do superintendente de futebol, Durval Lara Ribeiro, que não conseguiu repetir o sucesso de outros anos. “Os bons times no início do século deram impressão de que poderia fazer o mesmo agora. Ficou longe disso, repetindo alguns anos em que a equipe também não vingou. Ribeiro montou o elenco praticamente sozinho, trouxe em média, um jogador por semana, desde a primeira contratação e, faltando três jogos, não tem um time titular e existem várias improvisações”.

Da mesma maneira pensa o torcedor João Vitor Ramires. Para ele, a falta de planejamento foi o principal determinante, pois a equipe não rendeu mesmo estando com os salários em dia. Perguntado sobre qual a expectativa e se está otimista para o próximo ano, Ramires se mostra esperançoso. “Espero que o clube consiga manter uma base boa para o estadual, trazendo algumas peças chave ao longo da competição para que possa entrar com força total no brasileiro”.

 

Esperança é na nova direção

Com a próxima temporada já se aproximando, a esperança é que a nova direção consiga fazer um bom planejamento para que a equipe possa alçar maiores voos em 2016. Leonardo Oliveira, eleito no fim de Setembro, assume a presidência na primeira quinzena de Dezembro.

Para Moreira, o mandatário, que tem experiência dentro do clube, é capacitado para conduzir a instituição novamente ao sucesso, mas para isso a margem de erro deve ser mínima, ou o Paraná pode entrar de vez no ostracismo. “Acontecerão obstáculos e erros, mas quem está no clube agora sabe que esse é o último respiro. É preciso errar o mínimo daqui para frente para o clube voltar a incomodar. E, pelo que vejo, a semente está sendo plantada”, diz.

 

 

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