Com várias faixas de preço, pensionatos atraem estudantes em Curitiba

Saiba como vivem os jovens que moram nesses locais
Por Bernardo Vasques, Gabriel Witiuk, Pedro Freitas e Wesley Fernando

Muitos estudantes universitários e de cursos pré-vestibular, ao se mudarem para Curitiba, optam pelos pensionatos como forma de moradia. Dos mais variados preços, as casas oferecem serviços domésticos como alimentação e lavanderia, tornando-se uma opção mais prática para estudantes que preferem não ter responsabilidades alugando um apartamento próprio.

O estudante de Administração Oto Dellapria, morador do pensionato Santorini, localizado no Batel, conta que, além da facilidade pelos serviços oferecidos, o pensionato possibilita a criação de vínculos e amizades com outros moradores, evitando sensações de solidão e isolamento.

“Nunca fui acostumado a morar sozinho. No começo, pensei que seria um ambiente solitário, mas todos aqui são muito dispostos a conhecer novas pessoas e compartilhar experiências”, relata.

A principal diferença entre o pensionato e a moradia própria é o regime de regras. O morador de uma casa estudantil deve seguir uma série de determinações para um melhor convívio coletivo. As normas incluem a proibição de casais de namorados nos quartos, o silêncio obrigatório a partir de determinado horário e a manutenção da limpeza no ambiente.

O proprietário do Pensionato Santorini, José Sampayo, explica que, apesar de certa rigidez, as regras são úteis para que os moradores desenvolvam responsabilidades e busquem proporcionar um ambiente agradável para todos, não só para si mesmos.

“É importante que eles desenvolvam hábitos que os ajudem no futuro, quando tiverem suas próprias casas. Queremos que os moradores do Santorini pensem no bem de todos, pois hoje são seus colegas de alojamento, mas, no futuro, eles terão famílias para cuidar”.

Sampayo ainda acrescenta que, em meio a tanta praticidade oferecida em um pensionato, as regras de convivência acabam não se tornando um fator determinante na escolha do estudante e de sua família. Ele coloca que, na maioria das vezes, os pais preferem colocar seus filhos em um local que, apesar de haver normas, pode oferecer alimentação, lavanderia, segurança e atendimento médico.

Universidades oferecem moradia mais barata para estudantes

Além dos pensionatos particulares, algumas instituições de ensino oferecem casas para estudantes vindos de outras cidades e até de outros países. Este é o caso da Casa do Estudante Universitário da UFPR (CEU), mantida pela universidade e pelos próprios moradores.

Para conseguir uma vaga no local, o candidato, além de ser estudante da UFPR, deve fazer inscrição a partir de um edital normalmente divulgado duas vezes ao ano. O processo seletivo consiste em apresentação de documentos de comprovação de renda, além de uma entrevista com perguntas que buscam avaliar a aptidão do candidato para conviver com pessoas diferentes. Uma vez selecionado, o aluno poderá morar no local se comprometendo a auxiliar nas despesas da manutenção da casa.

O estudante de Análise de Sistemas Tiago Grunhagen, morador da CEU, conta que a principal vantagem é o preço. Ele explica que as despesas com as quais arca na Casa do Estudante correspondem à metade da quantia que gastaria caso alugasse um apartamento próprio, além de que a CEU oferece serviços de café da manhã, lavanderia e portaria 24h.

Grunhagen ainda acrescenta que a amizade entre os moradores é um destaque muito positivo da Casa do Estudante, já que a grande maioria dos moradores vem de outras cidades e buscam conhecer novas pessoas.

“A experiência de conhecer pessoas de personalidades, cursos e pensamentos diferentes compensa a liberdade que uma moradia própria te oferece, você não consegue encontrar isso em nenhum outro lugar”, aponta.

A Casa do Estudante Universitário da UFPR existe desde 1952 e já abrigou estudantes de todos os continentes, sendo uma das maiores casas universitárias da América Latina.

Procura por pensionatos se mantém estável 

Nos últimos anos, o número de estudantes que buscam tanto por pensionatos particulares quanto por casas de estudantes não tem apresentado grande muita oscilação. No caso da CEU, desde 2013, a média de inscritos no processo seletivo tem sido de 102 alunos, com cerca de 45 aprovados por ano. Já nas casas particulares, o número também é estável, mas um pouco menor, como aponta José Sampayo.

O proprietário do Pensionato Santorini relata que desde que começou o negócio, em 2012, sempre houve rotatividade de moradores, porém, segundo Sampayo, em função do cenário difícil da economia do país, o preço mais elevado do pensionato pode ter afastado possíveis moradores, visto que a ocupação da casa nunca passou de 40% de sua capacidade.

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