Na maioria dos estados, preço do etanol é muito próximo ao da gasolina. (Foto: Beatriz Peccin)
Preço do etanol é competitivo em poucos estados

Apenas no PR, GO, MT e SP, vale a pena usar etanol no lugar da gasolina

Beatriz Peccin

 

Na maioria dos estados, preço do etanol é muito próximo ao da gasolina. (Foto: Beatriz Peccin)

Na maioria dos estados, preço do etanol é muito próximo ao da gasolina. (Foto: Beatriz Peccin)

Segundos dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apenas nos estados do Paraná, Goiás, Mato Grosso e São Paulo os preços de combustíveis alternativos continuam competitivos em relação à gasolina.

Ainda segundo o levantamento, o preço do etanol está 66,68% do valor da gasolina no nosso estado. Entre os quatro estados, o que chamou mais atenção foi que em Roraima o etanol é 91,34% do preço da gasolina.

Segundo o diretor administrativo do Sindicato dos Combustíveis do Estado do Paraná (SindiCom-PR), Jair Massuchin, há muitos fatores que explicam essa competitividade do combustível nesses estados, mas nem todos são motivos de orgulho.

Ele aponta que o surgimento do carro bicombustível se tornou importante na economia devido à demanda para o combustível necessário para esses carros – no caso o etanol era o desejado da vez – com muitas usinas produzindo o preço ficou baixo temporariamente, mas depois os canaviais envelheceram, a demanda não era mais a mesma e a gasolina voltou a ser a melhor opção para o consumidor em termos de custo/benefício – preço x rendimento.

Entretanto, para o professor e coordenador do curso de engenharia de controle e automação da PUCPR, Ricardo Alexandre Diogo, um dos fatores que devemos considerar é a produção desse combustível no estado. “O Paraná é um dos maiores produtores de etanol no Brasil, portanto, quanto maior a produção, melhores preços são oferecidos”, explica.

“O grande vilão no preço do combustível são os impostos. Mais de 50% do que o consumidor compra na bomba é imposto”, critica o diretor do SindiCom, que justifica essa competitividade do etanol no estado do Paraná.

“Então o crime compensa. A sonegação fiscal nos combustíveis é absurdamente grande no estado do Paraná. O lucro é no mínimo de 50%. Para combater, a prefeitura está tentando reduziu o preço o ICMS, assim como aconteceu em São Paulo”, explica.

Maior parte do preço dos combustíveis no Brasil é composta por impostos. (Arte: Beatriz Peccin)

Maior parte do preço dos combustíveis no Brasil é composta por impostos. (Arte: Beatriz Peccin)

O diretor administrativo ainda aponta o problema das “entre-safras” que são de outubro a fevereiro, no qual o preço tende a subir e consequentemente o etanol perde sua vantagem de custo beneficio em relação à gasolina.

Sobre o programa Pró-Álcool, do governo federal, iniciado durante o período da ditadura militar, ele afirma: “o consumidor prefere a gasolina ao álcool, por causa dessa instabilidade de preços o consumidor prefere o combustível mais confiável, porque ele já sabe do rendimento e do preço em que ele roda”.

Por causa dessa instabilidade e da preferencia do consumidor pela gasolina, Massuchin relata: ”hoje tenho apenas duas bombas e apenas um tanque. O consumidor está preferindo mais a gasolina, mesmo com os preços em baixa, devido a essa instabilidade do preço”.

Vantagens

O professor Ricardo aponta que para o trânsito, área da saúde e meio ambiente o etanol produz menos poluentes que a gasolina e o diesel, mas continua poluindo. De qualquer forma, já é um cenário melhor.  Na economia, trata-se de um produto sazonal, portanto há variações de preço em função da produção.

Ele chama a atenção para que o consumidor saiba quando é melhor optar por um ou outro. “Só é vantajoso quando a relação preço do álcool gasolina seja inferior a 70%, pois o rendimento do álcool perante a gasolina é menor cerca de 70%”. “Porém, uma vantagem é que o etanol fornece mais potência ao motor, por isso do consumo maior. Hoje em dia, alguns modelos de carros possuem tecnologia computacional que dispensam o “tanquinho” de gasolina para partidas a frio, o calcanhar de Aquiles dos usuários do etanol em épocas frias”, finaliza.

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