Esportes “alternativos” lutam por espaço

Veja onde se pode praticar Punhobol, Pádel e Roller Derby

Por Andressa Paola, Giovanna Kasezmark, Glaucia Périco e Raphaela Viscardi

Em um país onde o futebol é o esporte hegemônico, praticantes de modalidades consideradas alternativas, como Punhobol, Pádel e o Roller Derby, buscam espaço e reconhecimento para as atividades que praticam.

As três modalidades citadas são pouco conhecidas, o que faz com que seus praticantes enfrentem dificuldades como  falta de estrutura para treinos, de investimento em campeonatos e de patrocínios. Por outro, esses esportes já possuem diversos atletas e contam com importantes competições.

Conheça melhor cada um desses esportes.

 

PUNHOBOL

O Punhobol ficou conhecido na Alemanha, por volta de 1893. O primeiro campeonato aconteceu em 1913 e, em 1986, as competições foram oficializadas sob a supervisão da International Fautsball Verband. No Brasil, ganhou força, principalmente, na região Sul, onde chegou por meio dos imigrantes alemães no Rio Grande do Sul. Em Curitiba, o principal clube é o Duque de Caxias, que sedia competições sulamericanas e a seletiva de atletas para a seleção.

Atual técnico da equipe nacional, Saulo Zanlorenzi está no punhobol há 27 anos e conta que a prática do esporte em outros clubes é em razão de o espaço para jogar ser compartilhado com o futebol. “Alguns clubes deixaram de ter o punhobol exatamente para dar prioridade ao futebol”, conta.

Mariana Schmidt, 21 anos, joga na Sociedade Ginástica de Novo Hamburgo e pratica punhobol há 15 anos, por influência da família. A atleta já participou de dois mundiais juvenil, sulamericanos e mundias com a seleção principal. Ela já conquistou o título da sulamericana juvenil.

 

Esporte sofre com falta de incentivos

Devido à falta de reconhecimento e investimentos,  os próprios atletas bancam suas viagens. Por parte do Governo, há o programa Bolsa Atleta, porém, de acordo com Schmidt, “para conquistar esse benefício, tem que ter conquistado algum título com a seleção brasileira”. “Nós vamos em busca do título para, daqui dois ou três anos anos, ir em busca desse benefício”, declara a Mariana.

As empresas patrocinadoras optam, geralmente, por investir em modalidades com maior retorno de mídia. “Como o punhobol é pouco divulgado, o investimento acaba sendo pequeno por parte dos patrocinadores”, conta Schmidt – ele mesmo conta não ser possível viver dessa profissão. “ Financeiramente não vale a pena se dedicar exclusivamente ao punhobol, o que é uma pena, pois é um sonho”.

A seleção adulta está iniciando a preparação para o mundial de 2016, que será sediado em Pomerode/SC. Esse processo também irá selecionar as dez atletas que irão jogar o primeiro Campeonato Panamericano do esporte, que será realizado em agosto, nos Estados Unidos.

 

Conheça o jogo

A quadra ou campo são divididos por uma linha que fica a 2m de altura para os homens e 1m90 para as mulheres. A bola utilizada no punhobol possui uma circunferência que varia de 65 a 68 centímetros, com peso que varia de 350 a 380 gramas.

Conheça, abaixo, os equipamentos necessários e a quadra da modalidade:

 

Conheça as regras

Apesar de ser semelhante ao vôlei, o punhobol possui regras específicas:

  • A bola pode tocar o punho ou o braço apenas uma vez por jogador. Quando a batida for realizada com o punho, a mão deve estar fechada. Quando a batida for realizada com o braço, a mão deve estar aberta;
  • Cada equipe do punhobol tem direito a dar apenas três toques na bola antes de passá-la para a quadra adversária, sendo que, cada jogador da equipe pode tocar apenas uma vez por batida;
  • A cada toque dado na bola por um jogador ela pode quicar uma vez no chão;
  • O jogo é composto por dois ou três sets (depende do regulamento da competição);
  • Cada set tem duração de 20 pontos com diferença mínima de 2 pontos de vantagem de uma equipe para a outra. Caso a diferença for menor que 2 pontos, a partida é disputada até 25 pontos, sendo vencedor, a equipe que fizer primeiro este número de pontos.

 

Veja onde praticar

Clube Duque de Caxias  – R. Costa Rica, 1173 – Bacacheri. Curitiba/PR

 

PÁDEL

O pádel é um esporte que, muitas vezes, é confundido com o tênis. Ele está crescendo no Brasil, principalmente em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. A modalidade surgiu em meados do século XX, em navios ingleses onde os passageiros tentaram improvisar o tênis.

Foi trazido ao Brasil por argentinos e uruguaios e, hoje, o esporte tem grande força nesses países. As seleções brasileiras de pádel são consideradas as terceiras melhores mundo, ficando atrás apenas de Argentina e Espanha. São, ao todo, três seleções: feminina, masculina e menores (até 18 anos).

 

Esporte tem potencial para crescer

Mariana Borges Altmayer, 37 anos, jogou tênis até os 18 e, desde então, por influencia da irmã, passou a praticar pádel. A jogadora está na seleção brasileira desde 1998 e participou da conquista de oito mundiais para o país.

Ela afirma que o Brasil tem grande potencial de crescimento no esporte, mas que, para isso, precisa vencer as barreiras da falta de incentivo e divulgação. “É interessante para ver a proporção que o pádel tem hoje. Na Espanha, onde tem incentivo, ele é o segundo esporte mais jogado do país. Em Portugal, também está crescendo, como no resto da Europa”, conta.

A atleta acredita que, por não ter visibilidade na mídia, a modalidade sofre para conseguir patrocínios. “Nós não temos incentivo nenhum. Faz três anos que eu sou a número um do Brasil e, hoje, eu tenho patrocínio de uma marca de raquete, que me dá roupa e a raquete. Mas, em termos financeiros, é tudo por minha conta: treinos, assistência para campeonatos e as viagens”, desabafa.

Para o atleta Bruno Nakid, 31 anos, também da seleção brasileira e que pratica o pádel desde 1999, um dos fatores que impedem o crescimento do esporte no Brasil é a falta de espaços adequados para a prática. “Falta muita coisa, mas, em primeiro lugar, mais academias. Nós até temos uma demanda boa de pessoas que querem jogar, mas falta espaço e faltam quadras”.

De acordo com o técnico e dono da única academia de Pádel de Curitiba, Beto Ferreira, o esporte vem crescendo no Brasil, mas ainda a passos lentos, por conta da falta de incentivo. “Hoje temos cerca de mil associados à Federação Brasileira de Pádel, o que é pouco, se comparado a outros esportes no Brasil. O que dificulta o pádel chegar a níveis profissionais é a falta de patrocinio”, explica.

Em Curitiba, o pádel é praticado em quadras fechadas, localizadas na única academia destinada ao esporte na cidade, a Curitiba Pádel. São, ao todo, sete quadras, que estão com frequência ocupadas pelos jogadores. “Estamos sempre com a agenda cheia. Temos lista de espera, principalmente nos horários da noite. Então, qualquer pessoa pode jogar, mas o que eu não posso garantir é que tenha espaço para o jogo”, relata.

 

Conheça o jogo

A quadra tem 10 metros de largura por 20 de comprimento e é cercada em sua totalidade. Nos fundos, as paredes possuem 3m de altura, complementadas por tela metálica de 1m de altura. Nas laterais, é cercada por paredes e telas metálicas. A raquete deve ter as medidas máximas 45,5 cm de comprimento, 26 cm de largura e 50mm de espessura.

A bola é específica para prática do Pádel, ou a mesma utilizada no jogo de tênis.

 

Conheça as regras

As regras são bem semelhantes às do tênis:

  • O jogo é disputado em duplas;
  • O jogador poderá rebater a bola que, após picar no seu piso, vier a bater em uma ou mais paredes e/ou telas metálicas do seu campo;
  • O jogador poderá devolver a bola para o campo do adversário com a utilização das paredes desde que, após este recurso, a bola não toque no seu campo e nem nas telas metálicas;
  • Os jogadores estão autorizados a sair da quadra e devolver esta bola enquanto não ocorrer o seu segundo pique;
  • O primeiro “ponto” obtido por cada dupla será contado como “quinze”, o segundo como “trinta”, o terceiro “quarenta” e o quarto como “game”;
  • A dupla que primeiro fizer quatro “pontos” terá vencido o “game”, desde que o faça com diferença de dois “pontos” sobre o adversário;
  • Se houver empate em “quarenta” a pontuação recebe o nome de “iguais” . O ponto seguinte “vantagem a favor” ou “vantagem contra”, sob a ótica do sacador. A seguir, dependendo de quem vencer o “ponto”, a contagem volta para “iguais” ou declara-se “game”;
  • A dupla que primeiro somar seis “games”, desde que o faça também com diferença de dois “games”, terá vencido um “set”;
  • No caso de as duplas chegarem empatadas em seis “games” o desempate será decidido na modalidade de “tie-break” ;
  • Consiste num sistema de desempate onde ganha a dupla que primeiro chegar a sete “pontos”, observada a diferença de dois sobre o adversário.
  • No “tie-break” o primeiro ponto obtido pela dupla denomina-se “um”, o segundo “dois” e assim sucessivamente;
  • Nas competições oficiais as partidas deverão ser disputadas em melhor de três “sets”.

 

Veja onde praticar

Curitiba Padlle Academia de Esportes
Rua Manoel Hygino dos Santos, 18 – Guaíra, Curitiba – PR, 80630-230, Brasil
 
 
 

Roller Derby

O Roller Derby ainda é um esporte recente no Brasil. Tem ganho mais adeptos no país, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Sua origem é americana e data da primeira metade do século XX. O esporte é de contato coletivo, jogado por duas equipes de cinco pessoas cada. A maior parte dos times espalhados pelo mundo ainda são femininos e praticam a modalidade em pista oval.

No Brasil, o esporte é amador. Ainda assim, todos os anos, desde 2012, acontece o Brasileiro de Roller Derby. Na capital paranaense, existem dois times femininos : a Soulless Witches e a Blue Jay Rollers. A Blue Jay Rollers surgiu a partir da iniciativa da Maria Verdasca, fundadora e presidente da liga, em reunir interessadas por meio de redes sociais, em 2011. “No início, havia seis meninas que se revesavam com um patins de baixa qualidade. Aos poucos, todas foram adquirindo seus próprios equipamentos e a liga começou a crescer, com a entrada de mais jogadoras. Atualmente, temos cerca de 15 jogadoras e três árbitros”, conta Maria.

Para a presidente do Blue Jay Rollers, em Curitiba, um dos maiores empecilhos encontrados na prática do esporte é falta de espaços adequado para treino. “A maioria das quadras particulares não aceita patins, pois alegam riscar o piso, além do alto preço. Atualmente, treinamos no Portal do Futuro Bairro Novo e não estamos tendo problemas – bem pelo contrário: a administração daqui nos acolheu muito bem”, conta.

 

Modalidade busca crescer

Segundo Maria, não só o Roller Derby, mas as diversas modalidades praticadas com patins precisam ser melhor vistas aos olhos dos governantes, sendo interpretadas como esportes, e não lazer. “Precisamos de local adequado de treino, com segurança e infraestrutura. É bem complicado conseguir novos adeptos para um esporte e dizer que os equipamentos são bem caros, que precisará se dedicar muito e que não temos apoio”, conta.

No próximo ano, Curitiba sediará o primeiro evento de Roller Derby. Será a terceira edição do Twisted & Mixed, evento idealizado pela liga Meat Machine, de Campo Grande, que tem caráter itinerante, levando o esporte fora do eixo Rio-São Paulo.

 

Conheça o jogo

As partidas são chamadas de bout e são divididas em duas partes de 30 minutos. A competição se dá em uma pista oval e os jogadores devem estar equipados com patins de rosas paralelas, protetor bucal, munhequeira, cotoveleira, joelheira e capacete.

 

Conheça as regras

  • A competição é entre duas equipes de cinco jogadores cada, sendo quatro bloqueadores (blockers), onde um deles é o pivô, que lidera o grupo, e um atacante (jammer), que marca pontos. O grupo de blockers é usualmente chamado de pack. As jammers possuem uma estrela no seu capacete, enquanto a jogadora com uma faixa no capacete é a pivô.
  • O objetivo do jogo é que o jammer passe o maior número possível de vezes à frente dos blockers do time adversário, que tenta impedi-lo.

 

Veja onde praticar

Blue Jay Rollers

R. Marcolina Caetana Chaves, 150 – Sítio Cercado, Bairro Novo. 

Curitiba/PR

 

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