Quatro décadas das Canaletas: dos ônibus, ciclistas e atletas

Criadas na década de 70 para ligar as quatro regiões da cidade, as canaletas ainda são boa solução, mas não resolvem o problema do trânsito de Curitiba, segundo especialistas. Os mais de 80km de vias exclusivas não suportam a demanda atual. 

Por Victória Grassi e Leonardo Henrique

Canaleta em Curitiba | Foto: Leonardo Henrique

Em setembro de 2014, as canaletas completam quatro décadas desde a inauguração da primeira linha de ônibus expresso em Curitiba. A novidade implantada na gestão do prefeito Jaime Lerner possibilita uma melhora de, em média, 15% no fluxo do trânsito. Segundo estatísticas da URBS, dois milhões de pessoas utilizam a Rede Integrada de Transporte (RIT) diariamente. São 81 km de vias exclusivas dentro dos 14 municípios da região metropolitana de Curitiba.

Pagando apenas uma vez, o passageiro pode circular livremente pelas estações tubo e terminais, chegando ao destino de forma mais barata e rápida. Considerando o crescimento linear da capital paranaense, os cidadãos alteraram seus caminhos. Apesar da grande aceitação, especialistas afirmam que o modelo pode ser mais eficaz.

Em entrevista ao Portal Comunicare, o pesquisador e jornalista, Lucas Vian, que avaliou a implantação do sistema de ônibus expresso em Curitiba, afirma que as canaletas são boas se comparadas aos similares brasileiros. Mas são muito fracas em comparação ao mesmo modelo de cidades como Bogotá (Colômbia) e Istambul (Turquia). “É necessária uma mudança radical no transporte de Curitiba, não só o desenvolvimento do expresso, como a melhoria dos terminais. Uma das soluções seria implantar novos modelos. É uma vergonha Curitiba não ter metrô”, completa o pesquisador.

Conforme dados oficiais da URBS, em 1974, 92% dos passageiros da rede pública de transporte tinham como destino o centro e, a partir de 2003, apenas 30% dos usuários vão para região central da cidade. Desta forma, os biarticulados passaram a ser essenciais para o deslocamento da população curitibana.

Estima-se que 25 milhões de passageiros pagantes utilizam o transporte público curitibano anualmente. Mas para os usuários, existem pontos a serem melhorados. O estudante Jordan Slompo, 19, usa o transporte público diariamente e avalia. “Levando em consideração o investimento público em transporte, ele está razoável, mas podia melhorar bastante”, afirma o estudante. 

Vias rápidas

Atualmente, Curitiba é adepta do sistema trinário de vias; as chamadas “rápidas” para a circulação das linhas diretas ou “ligeirinhos” e carros particulares. Entretanto, nem sempre a prioridade dos ônibus dentro das vias, supostamente exclusivas, é cumprida. “Por não ter outros carros, o motorista que trabalha na canaleta dirige mais tranquilo, mas muitos carros passam, normalmente carros policiais e ambulâncias” afirma Cléber Willians, 35 anos, motorista há 15. Cléber diz que respeita as ambulâncias, mas as viaturas cortam o trânsito sem pensar nas consequências, como freadas bruscas que os passageiros não entendem.

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