Cidade de Aleppo após anos de confrontos I El Pais
Refugiados sírios recomeçam vida em Curitiba

Capital paranaense tem se mostrado alternativa viável para aqueles que fogem da guerra

Por Guilherme Coutinho

Uma fração dos 2.298 refugiados da Síria no Brasil estão localizados em Curitiba, cidade que se revela uma opção de recomeço e alternativa à guerra civil que assola o país árabe.  As informações são do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), segundo relatório divulgado no ano passado pelo próprio órgão. Os dados do Comitê demonstram também que cresce cada vez mais o número de refugiados sírios na capital paranaense.

Três anos após fugir do conflito e chegar ao país, o padre Samaan Nasri, pároco da Igreja Ortodoxa São Jorge de Curitiba, conhece de perto as dificuldades que o refugiado enfrenta. “Sempre o primeiro ano é o mais difícil. Aquele que deixa o país dele só em corpo não dá certo aqui. Tem que trazer coração, mente e as lembranças”, relata Samann, sobre a adaptação ao Brasil. As dificuldades já começam pelas condições em que chegam os refugiados ao Brasil, ainda bastante fragilizados e desamparados pela guerra. Em alguns casos as próprias famílias são fragmentadas, ocasionando em separações dos parentes em países diferentes.

Outros obstáculos naturais no processo de adaptação dos refugiados a Curitiba são o aprendizado da língua portuguesa, a convivência em uma cultura distinta e a imersão no mercado de trabalho. “Mais do que aprender a língua, você tem que entender e viver um pouco da cultura brasileira. Os sírios são pessoas bem fortes e aqui eles têm conseguido muitas coisas boas. As famílias já têm muitas histórias boas para contar. Existem as dificuldades, mas o Brasil oferece oportunidades”, revela Samaan.

O padre afirma ainda que o Brasil é um país acolhedor, e elogia o tratamento recebido por eles e por outros membros da comunidade síria em Curitiba. “O povo brasileiro é muito tranquilo e simples, e nos trata bem. Nunca soube de descriminação com sírios. E em um mês você consegue tirar seus documentos sendo um refugiado aqui”, declarou.

Além do apoio da Igreja Ortodoxa São Jorge, ONG’s com fins semelhantes e da própria comunidade síria na cidade, os refugiados da Síria têm recebido suporte a partir de políticas públicas locais. A Universidade Federal do Paraná (UFPR) oferece aulas de português gratuitas a refugiados de diversas nacionalidades através de programas institucionais. A UFPR oferece também a possibilidade de revalidação do diploma de nível superior na própria universidade. Nesse contexto, destaca-se também a Fundação de Ação Social (FAS), órgão público responsável pela gestão da assistência social do município que atua em prol de garantir o acesso de imigrantes e refugiados aos serviços básicos da Prefeitura de Curitiba.

 

Entenda o contexto da guerra civil na Síria

Em março completou seis anos do início da guerra civil na Síria. O confronto eclodiu quando ativistas que protestavam contra o presidente Bashar Al-Assad foram fortemente repreendidos pelas forças de segurança de estado. A tensão entre as partes aumentou, culminando em um protesto em massa por parte dos sírios. As ondas de protestos tiveram ressonância em diversos países árabes em 2011, fenômeno que ficou conhecido como Primavera Árabe.

O clima de incerteza e instabilidade instigou a disputa pelo poder e contribui para o fortalecimento de grupos terroristas que ganharam espaço com a crise institucional e social nos países afetados. A ONU estima que na Síria desde o início dos conflitos, mais de 4,5 milhões de cidadãos sírios tenham deixado o país como refugiados e ao menos 250 mil morreram na guerra civil que ainda perdura

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