GibiCon leva mais de 20 mil pessoas ao Portão Cultural

Convenção de quadrinhos trouxe estrelas do exterior a Curitiba. A popularidade do evento colocou a capital paranaense de vez na rota nacional da produção de HQs.

Por Carolina Mello

A GibiCon #2 – Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba – aconteceu entre os dias 4 e 7 de setembro no MuMA – Portão Cultural. A programação foi inteiramente gratuita. Durante os dias de evento, foram 13 exposições, 33 mesas de debate e 16 palestras, além de oficinas, sessões de autógrafos, feiras, cosplay e diversas outras manifestações culturais.

A primeira edição do evento foi a GibiCon #0, chamada assim porque, nos quadrinhos, a revista #0 é aquela que não faz parte da história, mas testa o interesse do público. Por isso, essa seria na verdade a terceira edição do evento. Nos anos anteriores, a Gibicon aconteceu no Largo da Ordem. E depois de crescer bastante, agora se mudou para o MuMA, que tem mais auditórios e espaço para o público. “A tendência é crescer cada vez mais”, diz Mitie, dona da loja de quadrinhos Itiban e que teve estande em todas as edições do evento.

Durante os quatro dias de evento cerca de 20 mil pessoas passaram pelo Portão Cultural. “Queremos tentar uma aproximação com o bairro. A gente entende que o público de quadrinhos é extremamente fiel, então imaginamos que ele vá onde o evento estiver. […] Quem não tem o hábito de frequentar o centro tem uma facilidade aqui pelo Portão.”, diz Luciana Falcon, diretora de produção da GibiCon desde a primeira edição sobre a escolha do novo lugar do evento.

Segundo o artista Fábio Coala, que também participou da GibiCon #0, o evento só cresceu. “Este ano a expectativa era muito grande, todo mundo estava falando muito na internet e realmente cumpriu as expectativas”, diz ele. Coala também ressaltou a importância desse tipo de evento para os artistas independentes. Segundo ele, “porque é basicamente onde se vende mais. Normalmente vendemos pela internet, mas nesses eventos temos contato com o público, com amigos, artistas, e conversar com eles pessoalmente é muito legal”.

 

Impacto de um evento internacional para o turismo

A estudante de turismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Larissa Clausen, veio à GibiCon para pesquisar parte da tese de conclusão do curso. Em eventos no exterior, como por exemplo, a San Diego Comic Con, o maior do ramo, o turismo é fator essencial na organização e produção. Os amantes de quadrinhos movimentam grandes quantias de dinheiro tanto na convenção em si como pela cidade. O crescimento da GibiCon pode ser, de acordo com a pesquisadora, uma grande oportunidade para o turismo. A estudante propõe em seu estudo ações direcionadas ao turismo como parcerias com hotéis e hostels. “O site do evento também tem algumas falhas, e não é amigável com quem não está familiarizado com a cidade. Outros eventos no Brasil, como a Feira Internacional de Quadrinhos em Belo Horizonte, seguem o mesmo rumo”, afirma a estudante.

 

Cosplay

O cosplay é a abreviação dos termos “costume” e “play” ou “brincadeira de fantasia”, em tradução livre. É o ato de se vestir e agir como o seu personagem favorito dos quadrinhos. Jéssica Paes foi uma das pioneiras do cosplay em Curitiba. Ela conta que no começo, em meados dos anos 90, a prática era desconhecida do público geral. Nos últimos anos, porém, o hobby vem crescendo mais e mais, e começa até a render dinheiro. Há um ano, Jéssica é profissional do ramo e dá aulas na escola Manga Daisuki Dayo, além de workshops em eventos, como ocorreu na GibiCon. Jéssica ressalta que, como o nome diz, o cosplay é uma brincadeira e o importante é se divertir.

 

Convidados internacionais contam experiências

O coreano Kim Jung Gi e o inglês David LLoyd foram os mais requisitados durante o evento. Jung Gi, que publica no mercado franco-belga e era pouco conhecido no Brasil, chamou a atenção por suas performances ao vivo. Ele possui uma memória fotógrafica impressionante, e tendo passeado um pouco por Curitiba, foi capaz de reproduzir as cenas da cidade com perfeição e rapidez. Usando a caneta nanquim direto no papel, sem rascunho ou hesitação, o traço é certeiro. Ele começou o grande mural desenhando ele mesmo, com feição impressionada, observando a cidade. Diferentemente da maioria dos artistas, Jung Gi começa dos detalhes para ir construindo mais tarde uma cena maior.

O inglês David LLoyd já era bem conhecido no Brasil, principalmente por “V de Vingança”. A máscara do personagem V, desenhada por LLoyd, virou inclusive símbolo de manifestação popular aqui no Brasil. O artista foi o que reuniu a maior quantidade de fãs para a sessão de autógrafos. Foram tantos que as senhas distribuídas pela organização do evento acabaram rápido, e alguns voltaram para casa sem o livro assinado, como foi o caso do estudante Felype Barcellos. Mas ver a palestra de Lloyd compensou. “Esperava um palestra clichê sobre V de Vingança, mas ele me surpreendeu. Mostrou que os quadrinhos existem em um conceito social e complexo. No final das contas, a GibiCon se trata disso, de descobertas”, explica Felype.

 

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