O sucesso da coletânea de biografias "Vida" compila textos do autor - sobre Cruz e Sousa, Bashô, Jesus e Trotsky- e capa forte. (Foto: Divulgação)
Segunda reedição da obra de Leminski promete recordes superiores à primeira

Em fevereiro a antologia poética “Toda Poesia” superou o best seller “50 Tons de Cinza” no ranking de mais vendidos, e agora com o lançamento de “Vida” a expectativa é a mesma

Beatriz Peccin

Após o sucesso da antologia poética “Toda Poesia”, lançada no começo deste ano, a Companhia das Letras relança outra obra do autor Paulo Leminski: “Vida”, e garante mais um recorde de vendas. “Vida” manteve na capa a fórmula chamativa que foi apontada como uma das razões do sucesso de “Toda Poesia”. Se a antologia poética trazia a imagem do famoso bigode do autor em um fundo laranja, o novo livro usa um “amarelo marca-texto” e uma flor.

O sucesso da coletânea de biografias "Vida" compila textos do autor - sobre Cruz e Sousa, Bashô, Jesus e Trotsky- e capa forte. (Foto: Divulgação)

O sucesso da coletânea de biografias “Vida” compila textos do autor – sobre Cruz e Sousa, Bashô, Jesus e Trotsky- e capa forte. (Foto: Divulgação)

Muitos são os adjetivos que acompanham o nome de Paulo Leminski. Escritor, crítico literário, tradutor, professor e faixa-preta em judô são alguns, mas o maior de todos é o de poeta. Com ambas as obras, o autor cuja morte completou 24 anos no mês de junho, mostra ser ainda relevante.

Para a professora de literatura Ingrid Galleazzo, “o autor é um dos grandes nomes da poesia concreta e, nesse sentido, pode ser considerado vanguardista. Seus textos continuam influenciando as gerações mais novas de poetas, tanto quanto exerce marcante presença na produção literária das últimas duas décadas”.

A Companhia das Letras expõe em seu site alguns dos vários motivos desse grande feito. “Quando a lançamos Toda poesia, alguns dos livros ali reunidos – como Caprichos e relaxos e Distraídos venceremos – estavam fora de catálogo e vinham sendo procurados pelo amplo público leitor de Paulo Leminski há mais de dez anos. Entre diversos fatores que vão da genialidade inovadora de sua obra à simpatia em torno de sua figura, essa lacuna foi determinante para que o volume assumisse rapidamente uma posição de destaque em todas as listas de mais vendidos do país, feito inédito para um livro de poesia”.

“A reedição de uma obra clássica, com design ousado de capa e com um texto mais leve pode trazer novos leitores, uma vez que o mercado editorial tem sofrido grandes e profundas transformações, especialmente com o advento do e-book. Reeditar obras atrai outros públicos, inclusive quando são feitas de modo direcionado. Hoje, podemos encontrar a mesma obra de um grande clássico em diversas edições e para diversos públicos: voltado para o vestibulando, para quem é mais conservador e gosta de edições com ar mais sóbrio, para quem é mais moderninho e prefere um visual mais colorido, para quem faz da leitura um momento de estudo e prefere obras comentadas, para quem gosta de livro com imagens”, explica Ingrid.

"Toda Poesia", antologia de Paulo Leminski (Foto: Divulgação)

“Toda Poesia”, antologia de Paulo Leminski (Foto: Divulgação)

A professora finaliza explicando que a reedição de uma obra pensada especialmente em um determinado grupo tem enormes chances desse público se sentir atraído por ela são do que apenas relançar uma obra clássica.

Livro

A biografia de Cruz e Sousa é a primeira das quatro presentes no livro. Porém, Leminski não se limita a contar a trajetória do poeta “negro branco”, mas a utiliza como ponto de partida para analisar sua vida e obra. O estudo dos poemas e a busca por seus temas centrais agradam, deixando o texto menos burocrático e mais leve.

Em seguida vêm as histórias de Bashô, poeta japonês mestre do haikai (arte também desenvolvida por Leminski), Jesus Cristo e Leon Trótski, revolucionário comunista russo. No texto que abre a publicação, o autor justifica a escolha dos biografados, que para ele representam “quatro modos de como a vida pode se manifestar”.

Cinema

O relançamento é mais um sinal do sucesso recente de Leminski, que também será tema de filme. Dirigido por Gustavo Tissot, “Paulo e Alice” contará o relacionamento entre o poeta e sua mulher, que se conheceram em 1968 em Curitiba.

O longa ainda não tem previsão de estreia.

Biografia

Filho de polonês e negra, Paulo Leminski Filho nasceu no dia 24 de agosto de 1944, em Curitiba. Quando criança, já participava de concursos de poesia, mas só foi ter trabalhos publicados em 1964, quando cinco poemas apareceram nas páginas da Revista Inverção.

Também, lecionou história e redação em cursos pré-vestibular enquanto também trabalhava como professor de judô.

Mas o autor não se limitou aos poemas. Nos anos 1970 e 1980, Leminski expandiu seu leque de atuação escrevendo obras em prosa, biografias, ensaios e traduções. Nomes como Samuel Beckett e James Joyce receberam versões em português pelas mãos do curitibano, que também testava seu próprio talento como autor, como na prosa experimental “O Catatau”, de 1975. “Ou seja, Leminski é um autor de reverberação internacional, seja por sua intelectualidade e produção, seja pelas suas traduções, completa a professora.”

No mundo da música, escreveu “Verduras”, gravada por Caetano Veloso em 1981. E depois assumiu vocais, em parceria com Moraes Moreira, Ivo Rodrigues e José Miguel Wisnik.

Paulo Leminski morreu em 1989, por consequência de um cirrose hepática da sofria já a alguns anos.

Fechado para comentários.