Seis em cada 10 mães atendem as exigências dos filhos em compras

Metade das compras de brinquedos, jogos, roupas e calçados são feitas por impulso

Por Ema Cristina, Giovanna Rell e Mayara Schade

Pesquisa sobre consumo infantil, conduzida pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e Meu Bolso Feliz, divulgada em setembro de 2015, aponta que quase a metade das mães (47%) presenteiam o filho com o que ele exigir e 30% chegam a perceber que o filho não está satisfeito com o que tem e quer sempre mais.

58,5% das mães assumem que compram mais roupas e calçados de qualidade para os filhos do que para elas, e 39% gastam mais do que o planejado quando os filhos as acompanham nas compras. Foram ouvidas 843 mães, com filhos (as) de idade entre dois e 18 anos.

Para verificar a reação das mães quanto à pressão emocional envolvida numa compra, foi apresentada a elas a seguinte proposição:

“Seu filho (a) precisa de um tênis novo para ir à escola, pois o antigo não serve mais. Você escolhe um tênis bom e adequado, mas ele (a) quer muito o modelo da moda, que custa mais que o dobro. Como argumento, o (a) filho (a) diz que todos os colegas têm e que sente vergonha por não ter também.”; 52,8% delas afirmam não ceder, explicando ao filho que o valor das coisas não está naquilo que usa ou veste e sim no caráter e atitudes, mas 13,9% compram o tênis desejado pelo filho, ainda que seja necessário parcelar em muitas vezes.

Para as mães, os filhos costumam ser determinados em suas exigências, sendo que quase a metade da amostra (48,5%) garante que os filhos são persistentes e não desistem até conseguir, quando querem comprar algo – característica mais marcante entre os meninos (53,0%, contra 43,9% para as meninas) e os filhos mais velhos (59,1%).

Vilma Moura Penteado é mãe de dois filhos, uma de 21 anos e outro de 14, e considera que atender aos desejos dos adolescentes ou crianças é uma forma de demonstrar afeto e interesse. Também, é uma forma de agradecimento, dando premiações por bom comportamento ou por ajudar a arrumar a casa. “Essa é a forma que educo meus filhos, e para mim, os resultados são bons”, afirma.

Para o administrador e consultor financeiro Adriano Severo Madeira a questão de pais e mães cederem às vontades dos filhos se deve a muitos motivos de relação familiar, não apenas sobre consumo, já que são poucas as famílias que ensinam e educam os filhos em conhecimentos sobre finanças, ensinando que o dinheiro não é infinito, sem a possibilidade de comprar o que se quer. Para ele, as crianças que são educadas financeiramente tendem a entender melhor a situação em que os pais se encontram e dificilmente terão problemas financeiros quando crescerem.

“Pode abalar significativamente se fugir do controle, principalmente se fizer compras em parcelas e não conseguir quitá-las. Com os juros, vai se tornar um valor maior ainda; não é a toa que seis em cada 10 pessoas estão endividadas (63,5%, conforme Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC))”, afirma o consultor financeiro.

Educação Financeira familiar

Dessa forma, segundo a psicóloga Rafaella Inda, é necessário regular os filhos na hora das compras, sendo preciso que a criança aprenda a sustentar o desejo e a receber “nãos” em sua vida, pois ensinando o filho que não se ganha tudo, se ensina que é necessário lutar para conquistar, esperar e a entender que existe um limite. Para Rafaella, as mães acreditam que contrariar o filho é algo ruim, podendo os frustrar, às vezes com o sentimento de culpa por não estarem presentes.

Hoje o que temos visto muito, são pais que atropelados pelo ritmo de vida corrido e de trabalho, bem como pressionados pela mania da contemporaneidade, de que se é necessário ter tudo, compensando faltas humanas com bens materiais”, explica a psicóloga.

Mães-x-Filhos (1)

 

Fechado para comentários.