Site colaborativo mapeia a criminalidade em Curitiba

Endereço eletrônico funciona como ação preventiva

Bruno Dal Piccolo

A preocupação cada vez maior com a falta de segurança nas grandes cidades motivou dois alunos de Ciências da Computação, da Universidade Federal da Bahia (UFB) a criarem o site “Onde fui roubado“. Idealizado por Fillipe Norton e Marcio Vicente, o portal permite que os usuários registrem, anonimamente ou não, o endereço de onde foram vítimas de assaltos, furtos, sequestros relâmpagos entre outros.

Segundo Norton, a proposta ajuda a prevenir a recorrência dos crimes nos mesmos locais. A plataforma foi lançada há pouco mais de dois meses, e as denúncias podem ser feitas de qualquer lugar do Brasil.

Sistema é de uso simples e rápido
Foto: Mariana Benevides

Os dados coletados no site também podem servir de ferramenta para ajudar o trabalho da polícia, já que “faltam pessoas que fazem boletim de ocorrência” comenta o estudante. Giuliano Costa, que teve seu veículo roubado, registrou o ocorrido no site. “Acho válida a iniciativa por divulgar as regiões onde é  maior o índice de assaltos”, relata.

O sistema de registros que organiza o site é simples e rápido. A vítima informa o local e a data, os objetos furtados e o tipo de crime que ocorreu. Ao todo são nove categorias que incluem: assalto à mão armada, furto, arrombamento domiciliar, e roubo de veículo. Entre as informações adicionais possíveis podem ser acrescentadas descrições dos criminosos e telefones para contato. Conforme as denúncias são efetuadas, o portal monta automaticamente uma tabela de estatísticas do crime, que aponta o sexo das vítimas, os objetos mais roubados e os tipos de crimes mais freqüentes.

Curitiba

Até agora foram registradas mais de 300 denúncias na capital paranaense em menos de três meses. O mapa revela que a maioria dos delitos acontece na região central e nas suas imediações. As estatísticas apontam também, que apenas 47% das vítimas registraram boletim de ocorrência.

O Delegado Francisco Caricati, responsável pela Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba (DFR) reconhece a importância do site como ferramenta preventiva e sinalizadora, mas reforça que para a polícia é necessário o registro das ocorrências em uma delegacia. “Não existe outra forma da polícia investigar o crime sem que seja procurada pela própria vítima” completa.

Os idealizadores do projeto se surpreendem com a os números apresentados pelo “Onde Fui Roubado”, e afirmam que o crescimento é constante. No momento uma versão móbile (Iphone e Android) está sendo desenvolvida. “Nosso aplicativo vai ser uma espécie de guia sobre segurança, não informando só os pontos críticos, mas alertando o usuário de diversas maneiras, para evitar um possível assalto”, comenta Norton.

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