Jogadores do Coritiba durante o treino
Sucesso no futebol dificulta vida escolar de jogadores

Clubes exigem que atletas sigam estudando, mas rotina de treinos e jogos é barreira

Por Caroline Deina, Sophia Cabral e Thais Camargo

Jogadores de futebol têm dificuldade para conciliar a carreira esportiva com os estudos e, por isso, podem enfrentar problemas após a aposentadoria. Muitos optam por se afastar da família, dos amigos e principalmente dos estudos, na busca por uma carreira que tantos sonham, com fama e dinheiro.

O jogador Juan Carlos, 17, deixou Curitiba recentemente para atuar no Atlético Potiguar, de Natal-RN.   Ele conta que um de seus desafios foi seguir com os estudos. “Eu tive que optar entre concluir o ano escolar ou assinar profissionalmente com o clube, até porque percebi que não é possível se dedicar bem as duas coisas ao mesmo tempo”.

Aos 36 anos, o atacante Lúcio Flávio, do Coritiba, analisa seu passado e a situação dos futuros jogadores ao comentar as dificuldades de conciliar a carreira com os estudos. “A questão que atrapalha um pouco é a quantidade de viagens e concentrações. No Brasil é difícil a relação com o torcedor no dia a dia. Tem pessoas que não respeitam [a vida pessoal do jogador] e o atleta tem um pouco de dificuldade em ter mais normalidade num ambiente escolar”.

Em contrapartida, o esportista destaca a necessidade da formação escolar para saber lidar com o dinheiro adquirido e para optar por melhores escolhas em ambientes que estejam além do futebol. Ele ainda aconselha a continuidade dos estudos aos jogadores da base, já que a condição de chegar ao time profissional é incerta.

O atacante terminou o ensino médio e chegou a prestar vestibular para administração. Atualmente, ele realiza um curso na Universidade do Futebol, que servirá de suporte após a sua aposentadoria, já que pretende seguir trabalhando na área de gestão ou como trinador.

Clubes exigem que jogadores estudem

Todos os atletas do Paraná Clube frequentam o ensino público, sendo a maioria no Colégio Estadual Arlinda Ferreira Creplive, em Quatro Barras. O Centro de Treinamento (CT) conta com psicóloga, pedagoga e assistente social, que trabalham em conjunto no acompanhamento dos jogadores da base, principalmente no quesito educação. A locomoção dos atletas até a escola é facilitada pelo clube, considerando a obrigatoriedade do estudo.

O Coritiba também exige que os atletas das categorias base concluam o ensino médio, e conta com o atual indicativo de que 85% destes conseguem finalizar. O clube tem, inclusive, parceria com uma escola particular para que este projeto seja ainda mais eficiente. Do atual elenco, dois atletas cursam o ensino superior.

Já o Atlético Paranaense se recusou a fornecer informações sobre o seu elenco. Todos os dados foram fornecidos pelas assessorias de imprensa dos clubes.

 

Jogador Lúcio Flávio, à direita, já planeja seu futuro pós-aposentadoria | Foto: Thais Camargo

Jogador Lúcio Flávio, à direita, já planeja seu futuro pós-aposentadoria | Foto: Thais Camargo

 

Jogador adapta dia a dia para estudar

O atleta Rafael Veiga, 20, é um exemplo de que é possível conciliar os estudos com a carreira esportiva. “Comecei a estudar pelo incentivo da minha família, da minha mãe especialmente. Depois eu percebi que seguir estudando poderia ser um diferencial não só na profissão de jogador, mas também na minha vida como um todo”, afirma o jogador da categoria de base do Coritiba. Para dar conta da rotina dobrada, ele optou por estudar à noite na faculdade Dom Bosco, em um período no qual dificilmente há treino.

O estudante de educação física se apoia no conselho do ex-jogador Alex, que o incentivou a seguir com a faculdade, já que, em sua experiência internacional, conheceu muitos treinadores europeus, que buscavam jogadores inteligentes como um dos primeiros critérios. Atualmente, o time paranaense arca com as despesas na educação do jogador. “Quando comentei que pretendia continuar estudando, o clube me incentivou e me deu total apoio”.

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