Trote solidário é benéfico para alunos e instituições

Universidades podem ganhar pontos na avaliação do Ministério da Educação por incentivar trotes solidários

Por Grasieli Farias

O trote universitário, comum em muitas instituições do Brasil, vem sofrendo mudanças e adotando um caráter solidário. Após casos de violência e humilhação ocorridos em algumas festas universitárias e recepções aos calouros, muitas universidades resolveram banir de vez os trotes violentos, que podem levar a punição ou até expulsão do agressor da universidade. Desde 2012, faculdades que incentivarem a prevenção ao trote repressor podem ganhar pontos na avaliação do Ministério da Educação, gerando benefícios não só à instituição, mas principalmente à comunidade.

Um dos casos que incentivaram as mudanças nesses trotes, foi o incidente ocorrido na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na qual calouros do curso de Direito foram expostos a trotes com conotações racistas e nazistas. Uma aluna teve as mãos amarradas e o corpo pintado com tinta preta, em referência à escrava Chica da Silva, enquanto outro aluno foi amarrado em um poste e diversos estudantes faziam uma saudação nazista. Quatro alunos  foram punidos e 198 investigados.

No Paraná, a vontade de ajudar o próximo mobiliza todos os anos a Pastoral da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) em parceria com os Centros Acadêmicos e com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), a realizar o Trote Solidário como recepção aos calouros, na qual as diversas escolas da Instituição disputam entre si. Os alunos são motivados a doar sangue, cadastrar-se à doação de medula óssea ou qualquer movimento de cunho social. A ação não conta como horas complementares, acrescentado o caráter social do trote. Além de Curitiba, os campus de Maringá e Toledo também participaram da última edição.

A Faculdade de Tecnologia do Senai Londrina, após perceber a necessidade de ações que pudessem melhor a qualidade de vida da comunidade, realizou em 2014 a I Gincana da Cidadania, que contou com a participação de mais de 60 alunos e professores na arrecadação e distribuição de livros, revistas e gibis. A Coordenadora do Conselho de Pesquisa e Extensão, Camila Fogaça, contou que essa foi uma forma de integrar os alunos de diferentes períodos da faculdade. “A única condição para a formação das equipes era que as mesmas deveriam ser compostas por veteranos e calouros”, disse. A direção da faculdade decidiu premiar seis discentes com bolsas integrais, pelo empenho e dedicação com os objetivos da gincana. A ideia deu tão certo que a arrecadação de mais de 12 mil exemplares, levou o Senai Londrina aos finalistas do Prêmio Trote da Cidadania 2014, realizado pela fundação Educar.

A maior parte das instituições arrecadam alimentos e cestas básicas. Além do fácil acesso aos estudantes, é também a necessidade básica de muitas ONGs e comunidades carentes. Os trotes acontecem geralmente no começo do ano letivo, podendo ser realizado mais de uma vez no decorrer do semestre em algumas faculdades.

Fechado para comentários.