Uber está a um passo de ser proibido em Curitiba

Aplicativo é criticado por vereadores e taxistas; usuários elogiam o serviço

Por Beatriz Mira e Luis Gustavo Ribeiro

O projeto de lei que proíbe a operação do Uber em Curitiba foi votado em plenário no último dia 12 e aguarda sanção do prefeito Gustavo Fruet (PDT) para entrar em vigor. A iniciativa é dos vereadores Chico do Uberaba (PMN) e Jairo Marcelino (PSD).

O aplicativo está funcionando em Curitiba desde o dia 18 de março. Possui uma taxa base de R$ 3 mais R$ 1,12 por quilômetro rodado e R$ 0,25 por minuto. O preço mínimo e a taxa de cancelamento ficam em R$ 5 e para pedir o carro é necessário baixar o aplicativo.

No mesmo dia em que foi aprovado o projeto que proíbe o aplicativo, três projetos que visam regulamentar os motoristas de Uber foram apresentados. O primeiro é uma iniciativa do vereador Tico Kazuma (Pros). O segundo foi escrito pelos vereadores Carla Pimentel (PSC), Cacá Pereira (PSDC), Tiago Gevert (PSC) e Geovane Fernandes (PTB); e o terceiro é assinado pelos vereadores Jonny Stica (PDT), Pedro Paulo (PDT), Bruno Pessuti (PSD), Felipe Braga Côrtes (PSD), Cristiano Santos (PV), Helio Wirbiski (PPS), Professora Josete (PT), Noemia Rocha (PMDB), Pier Petruzziello (PTB), Tiago Gevert (PSC) e Cacá Pereira (PSDC).

Vereador, Setran e taxistas criticam aplicativo

Chico do Uberaba explica que a proposta proíbe o transporte individual em veículos leves que não cumprem as exigências previstas na lei municipal 13.957/2012. A multa prevista para motoristas ilegais é de R$ 1,7 mil. O vereador afirma que nunca usou nem nunca usará o aplicativo, pois é contra qualquer serviço irregular. “O Uber é uma empresa estrangeira que ninguém conhece. Ele seleciona motoristas sem critérios de segurança, e oferece um serviço ilegal de transporte” afirma.

Segundo a secretária do Trânsito, Luiza Simonelli, o combate à clandestinidade no transporte é feito há bastante tempo pela Secretaria de Trânsito de Curitiba (Setran). Ela conta que ainda não há lei específica para serviços como o Uber e que, em nenhum momento, a empresa procurou a prefeitura em busca da regularização.

A secretária expressa que a maior preocupação é a segurança. “Quem é Uber? Ninguém sabe. É um aplicativo virtual” afirma. Luiza defende que o serviço de táxis da Urbs é seguro, enquanto o Uber dá ao passageiro uma falsa sensação de segurança, e conta que a frota já possui cerca de 60 táxis executivos. Ela revela que o Setran está trabalhando em um aplicativo similar ao Uber mas com táxis públicos, e defende que a prefeitura não é contra a tecnologia.

O Presidente do Sindicato dos Taxistas do Estado do Paraná, Abimael Mardegan, conta que todos os membros do sindicato são a favor do projeto de Chico do Uberaba. Mardegan expressa que é contra o Uber pela falta de regulamentação do serviço. Ele reforça que todos os taxistas passam por um processo antes de poderem praticar a profissão, o que garante a segurança do táxi público. “O Uber pra mim é um engodo, que usa da mídia para influenciar a população” afirma o presidente. Quanto ao conflito entre taxistas e motoristas de Uber, Mardegan afirma que “não tem violência”.

Usuários defendem Uber

A estudante Barbara Blanch é uma defensora convicta do Uber. Ela já usou o aplicativo em Curitiba e em outras cidades do Brasil. Segundo ela, o principal atrativo do serviço é a combinação da qualidade com o preço baixo. Barbara afirma que se sente segura usando o aplicativo e que já ouviu de diversos motoristas que o processo de seleção é rigoroso.

O único problema, de acordo com a estudante, é a falta de carros especialmente de madrugada, pois a frota curitibana ainda é muito pequena. Ainda assim, ela não acha que o Uber deve ser o único meio de transporte individual. “A competição entre os serviços é saudável, pois obriga ambos a fazerem melhorias para atrair os clientes” afirma.

Outro lado

A assessoria de imprensa do Uber foi procurada pelo reportagem do Portal Comunicare, e afirmou não ter disponibilidade para conceder entrevistas.

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