Manobristas revezam o dia de trabalho por conta da baixa procura dos valets
Uber “prejudica” mercado de valets em Curitiba

Manobristas têm carga de trabalho reduzida devido ao baixo movimento

Por Thaís Mota e Nathalia Gorte

Desde a implantação do Uber no Brasil, os valets parks de Curitiba tiveram grande redução de movimento pela diferença de preço entre eles e o aplicativo. Com isso, manobristas ficaram sem serviços e muitos foram demitidos.

“Em um final de semana eu trabalhava com seis manobristas por dia, agora estou trabalhando com quatro. Tive que cortar porque diminuiu o número de carros”, declara o proprietário do F.F PARK, Fernando Ferreira. Segundo ele, o movimento no park caiu com a entrada do Uber, mesmo sendo somente R$ 18 o período no valet, e os manobristas revezam o dia de trabalho. Nos fins de semana o valet diminuiu um terço do número de manobristas trabalhando.

O funcionário do valet park Batel Rafael Souza conta que o movimento diminuiu numerosamente, tendo em vista que o Uber oferece um preço de ida e volta quase igual ou até menor que o valor estipulado por período, que é R$ 20. Sem contar com a tranquilidade ao ingerir bebidas alcóolicas e não pegar no volante.

Apesar disso, ele acrescenta que é vantajoso manter o valet. “É mais vantajoso pela comodidade do cliente. Não é só pelo fato de ter outras opções de transporte na cidade que deixa de ser viável, por exemplo, classe B e classe C para utilizar valet e Uber é tranquilo, mas classe A prefere chegar com o próprio carro e utilizar pouco o Uber.”

Para o estudante Gustavo Tortato, 18 anos, o Uber é sua preferência, pois, além de ter um preço vantajoso, é oferecido aos passageiros água e balas. Ele afirma que usa o transporte, na maioria das vezes, no período da noite para voltar de bares e baladas. Com a regulamentação do Uber, os impostos subirão junto com a tarifa e isso tira a principal competitividade do aplicativo, o preço, afirma Tortato.

Segundo o economista e consultor de empresas Aldeido Nascimento, a proposta do Uber tem a ideia de que a livre iniciativa, democratização de serviço seja o grande foco dessas empresas. Assim, quando o aplicativo entra em países com legislação mais pesada, a regulamentação gera muitos problemas. “Tem um jogo de interesses porque o aplicativo vai ganhar dinheiro, o motorista ganha dinheiro, mas quem não está ganhando nada nessa história é o Estado. O maior desejo de regulamentação é do Estado”.

 

Discussão sobre a regulamentação do Uber

A atual proposta da regulamentação, com prioridade de votação pelo plenário da Câmara dos Deputados, tem alguns pontos como: cobrança dos tributos municipais; Exigência de contratação de seguro de Acidentes Pessoais e Passageiros (APP) e seguro obrigatório (DPVAT); O motorista deve ter Certificado de Registro e Licenciamento de Veículos (CRLV) de prestação do serviço e ser um contribuinte individual do INSS também.

A regulamentação deve acontecer para que o aplicativo seja legal e garanta segurança para os passageiros, desde que mantenha a principal característica do uber: a possibilidade de concorrência, ser outra alternativa de transporte e emprego para a população. Como para o motorista do Uber Lucas Marquês da Silva, que o serviço proporcionou uma possibilidade de sair do desemprego.

O economista Aldeido Nascimento argumenta que a regulamentação do Uber é uma questão interesses. “É um parecer ideológico, tem gente que defende mais o Estado: cobrando mais imposto que seria uma melhoria na condição de vida das pessoas. Existem outras pessoas que quanto mais o estado não intervir, melhor seria”.

Segundo Nascimento, a regulamentação do Uber arrecadaria mais dinheiro para o Estado, mas não necessariamente teria retorno para a população. “O quê o estado vai fazer com esse dinheiro? Até porque já somos muito taxados no Brasil e em Curitiba. Impostos que a gente não vê retorno disso em serviços”.

O presidente do Sindicato dos Taxistas do Paraná (Sinditaxi), Abimael Mardegan, exige que a regulamentação seja acompanhada pelo prefeito Rafael Greca, que ainda não se pronunciou sobre o assunto, porque seria benéfico para a população. Além disso, os táxis teriam um diferencial do Uber: “O taxímetro é para não prejudicar a população, é cobrar o mesmo valor das 8h às 22h. E o táxi tem o 156 onde você tem a segurança que sua reclamação será atendida”.

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