Um dia sem carros pelas ruas de Curitiba

Setembro, o mês da bicicleta, terminou marcado por uma série de ações de ciclioativistas que foram às ruas pedir mais segurança para os ciclistas.  A maior manifestação reuniu mais de mil bicicletas – O Dia Mundial Sem Carro.

Por Gabriela Jahn

Cerca de mil bicicletas circularam pelo centro, os ciclistas lutam por mais espaço nas ruas de Curitiba | Foto: Gabriela Jahn

Cerca de mil bicicletas circularam pelo centro, os ciclistas lutam por mais espaço nas ruas de Curitiba | Foto: Gabriela Jahn

Pelas ruas da cidade, manifestações sobre duas rodas. Os cicloativistas aproveitaram setembro para reivindicar mais espaço de circulação para as bikes. Curitiba tem pouco mais de 120km de ciclovias, a maioria compartilhada com pedestres e mal sinalizadas.  O que não garante a segurança de quem escolheu a bicicleta como meio de ir e vir.  A chamada “Marcha das 2014 Bicicletas”, pretendia reunir, simbolicamente, o número do ano em que estamos. No ano passado, a marcha que marcou o Dia Mundial Sem Carro contou com pouco mais de 300 participantes — a chuva e o frio atrapalharam. Este ano, porém, mais de mil ciclistas participaram da ação.
Os manifestantes partiram da Praça de Bolso do Ciclista, recém inaugurada perto da Praça Santos Andrade, em direção ao Centro Cívico. A marcha percorreu um trajeto de 12 km pelas vias lentas das estruturais de Curitiba. Partiram no começo da noite em direção a Av. Cândido de Abreu e seguiram em um percurso que contornou parte do centro da cidade. Como cenário para quem pedalava, as avenidas Visconde de Guarapuava e 7 de setembro. Os ciclistas fizeram barulho com apitos e cornetas, além de entoarem as cantigas clássicas da data e gritos de ordem promovendo uma vida menos dependente do carro.
As pessoas nas ruas que paravam para ver o comboio passar aplaudiam, gritavam e interagiam com os ciclistas que seguiam em marcha. Nas áreas residenciais os moradores saíram às janelas de seus apartamentos para observar e filmar a movimentação. Cecília Barbosa, 43 anos, filmava os ciclistas enquanto passavam pela Av. Cândido de Abreu, e conta o quão importante é o papel deles na sociedade. “É bem legal essa iniciativa de promover o uso da bicicleta, além de ser saudável diminui o trânsito na cidade. Os ciclistas têm meu respeito”, conta Cecília.

O Dia Mundial Sem Carro
Comemorado desde 1997, o Dia Mundial Sem Carro começou na França e tomou o mundo. Marcado no dia 22 de setembro, o movimento ganha força com marchas fora das fronteiras europeias.
O objetivo da data é estimular uma reflexão sobre o uso e a dependência que se cria em relação ao automóvel, estimulando a busca por alternativas para locomoção e uma vida para além do para-brisa.
A Marcha é uma Bicicletada. Não é um ‘Bike Night’ ou um ‘Pedala Curitiba’, como são conhecidos outros eventos que ocorrem na cidade. Não é um evento de esporte ou lazer. A Marcha é uma celebração, é uma manifestação organizada por todos os presentes.

O trânsito da cidade em números
Curitiba é uma das cidades mais motorizadas do país, com 0,74 veículo por habitante – o que significa que 3 a cada 4 moradores da cidade têm carro – a capital vive um dilema de mobilidade. As ruas cada vez mais cheias de carros particulares, somada a baixa adesão do transporte público pela população.
Segundo dados da assessoria de imprensa do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), a frota de veículos da capital paranaense cresceu 33,72% nos últimos sete anos, o que representa quase 9 vezes o aumento populacional (3,78%), enquanto a média de passageiros transportada pela Rede Integrada de Transportes (RIT) encolheu 1,67%.

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