Preço elevado dificulta na hora de procurar um apartamento
Foto: Laís Holzmann
Valor dos imóveis aumenta em várias cidades do país

Preço sobe 6,1% em 2013 e supera inflação

Por Laís Holzmann

O preço médio do metro quadrado subiu mais que o dobro da inflação do ano em muitas cidades. Essa afirmação vem do índice de preço de imóveis anunciados, FipeZap, desenvolvido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o portal ZAP Imóveis, que acompanha o preço médio do metro quadrado dos apartamentos prontos em 16 municípios diferentes, nas cinco regiões do país. A pesquisa é feita com base em anúncios da internet, e apontou um crescimento de 6,1% no primeiro semestre de 2013.

Segundo o economista Daniel Poit, as maiores influências nos preços foram o crescimento da oferta de crédito e, em decorrência, da demanda por imóveis novos; da elevação dos preços de terrenos urbanos que se tornaram cada vez mais raros; e da instabilidade e aumento do nível de risco das aplicações no mercado financeiro.

Quando questionado sobre a possibilidade de baratear os custos de um imóvel, Poit foi enfático: “a cultura de reajustes que há na economia do Brasil, com índices de correção automática de preços e contratos, faz com que não haja perspectiva de redução de preços dos imóveis. O que poderá ocorrer é uma estabilidade no preço médio em caso de queda da demanda ou de queda de preços pontuais em alguma região, por razões circunstanciais. Fora isso, uma redução sistêmica só se acontecer uma recessão econômica, corte na oferta de crédito e ou queda da renda média”.

O bairro Ecoville tem seus imóveis valorizados  Foto: Laís Holzmann

O bairro Ecoville tem seus imóveis valorizados
Foto: Laís Holzmann

Entre as 16 cidades monitoradas pelo indicador,  Curitiba teve a maior alta no mês, com 3,7%, impulsionada pelos bairros Água Verde e Bigorrilho, com uma média de R$ 4.218,00. A média geral, entre os municípios observados, se situou em R$ 6.900,00 em julho, representando um aumento de 1,1% em comparação com o mês de junho.

O presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi/PR), Gustavo Selig, complementa: “vale ainda destacar que o mercado de lançamentos imobiliários em Curitiba permaneceu estagnado por muitos anos, com um volume de oferta aquém da demanda e preços muito abaixo do que o praticado em outras capitais de mesmo porte. A recuperação do mercado aconteceu nos últimos cinco anos, com a retomada dos lançamentos e a correção do preço de mercado”.

Segundo o FipeZap, nos últimos 12 meses o crescimento foi de 11,6% nos valores. O aumento real dos preços desde junho de 2012 foi de 4,5%, considerando a inflação acumulada no mesmo período, de 6,8%. O mercado da capital paranaense se mostrou aquecido com aumento acumulado em 19,6%, seguido pelo Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Porto Alegre, com alta de, respectivamente, 15,4%, 14,0% , 13,9% e 13,3%.

O presidente da Ademi/PR acredita que os preços elevados dos imóveis afeta outras áreas do comércio. “O Brasil tem uma alta carga tributária, que se impõe como um obstáculo cada vez maior para o desenvolvimento da atividade empresarial e para o empreendedorismo no país. Agora, pensando em valor agregado, é inegável que um empreendimento imobiliário gera a valorização do local em que é construído e do seu entorno, pois, não raras vezes, ele é o propulsor para atrair outros investimentos em infraestrutura urbana e equipamentos públicos para a região, bem como para a ampliação da rede local de comércio e serviços”, explica.

Selig não acha possível a queda dos preços, mas afirma que “a realidade é que o mercado de lançamentos imobiliários passa por uma fase de ajuste em Curitiba. Isso significa dizer que o preço dos imóveis vai continuar a subir, porém, em patamares mais estáveis do que em anos anteriores”, finaliza.

Preço elevado dificulta na hora de procurar um apartamento Foto: Laís Holzmann

Preço elevado dificulta na hora de procurar um apartamento
Foto: Laís Holzmann

 

 

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