Vanguarda curitibana transforma a cidade em polo de histórias em quadrinhos

Gibitecas e Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba (GibiCon) ajudam quadrinistas locais a atingir o sucesso, mesmo sem o apoio de grandes editoras

Por Pedro Henrique Colatusso

A Gibiteca de Curitiba é a primeira biblioteca especializada em histórias em quadrinhos do Brasil. A iniciativa é um exemplo do pioneirismo no incentivo dessa arte na capital paranaense. Este ano, duas novas gibitecas serão inauguradas: uma na Casa Kozák, no Uberaba; outra na Casa de Leitura Franco Giglio, no Campina do Siqueira. Além de oferecerem material para leitura e pesquisa, elas disponibilizam oficinas de quadrinhos a baixos custos. A proposta é descentralizar as gibitecas, levando os benefícios também para os bairros mais afastados. Os realizadores acreditam que, assim, estão introduzindo no mercado talentos que, de outra maneira, não seriam descobertos.

Outro exemplo de incentivo às Histórias em Quadrinhos (HQs) por parte da Fundação Cultural de Curitiba, é a Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba (GibiCon). A GibiCon, diferente de outras convenções do gênero, como a Shinobi Spirit, não é um evento comercial. O objetivo é ajudar os artistas na divulgação do seu trabalho e reunir leitores e produtores de quadrinhos.

Muitos artistas afirmam que é difícil se profissionalizar nesse meio. Ainda assim, alguns caminhos como o financiamento coletivo, a internet, as pequenas editoras, eventos como a GibiCon e a realização das gibitecas ajudam os artistas paranaenses, que tem se destacado. Fábio Coala esteve presente em todas as edições da GibiCon. “Os eventos são muito importantes principalmente para quem trabalha como independente como eu, que faz seus próprios livros, não tem uma editora por trás, porque é basicamente onde se vende mais. Normalmente vendemos pela internet, mas nesses eventos temos contato com o público, com amigos, artistas, e conversar com eles pessoalmente é muito legal”, afirmou. Coala notou que, de 2012 pra cá, o evento cresceu muito.

O “Velociraptor Pirata” é um coletivo de quadrinhos que começou na internet e estreou no meio impresso nesta GibiCon. Tudo começou quando um grupo de amigos que se conheceram na universidade resolveram juntar forças e tentar se profissionalizar. Eles começaram devagar, na internet. Mas para esta GibiCon eles arriscaram e imprimiram por conta própria três quadrinhos curtos. O resultado final foi positivo. Além do lucro financeiro, Melissa Garabeli destaca que ficou muito feliz com a recepção das pessoas, e que a convenção também valeu pra conhecer e fazer amizades com pessoas do meio. Segundo eles, o próximo passo será tentar repetir a receita, no Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), em Belo Horizonte.

Já André Caliman publicou seu livro “Revolta!” via financiamento coletivo, e usa eventos como a GibiCon para divulgação e comercialização do título. “Revolta!” trata da insatisfação do povo com a política. A ação se passa em bares e ruas da cidade, nas datas comemorativas tradicionais curitibanas, e até no Palácio do Planalto e na Prefeitura. Um diferencial da obra é que cada capítulo era publicado mensalmente na internet, e assim as reações e comentários dos leitores puderam ser incorporados em capítulos futuros. Também os acontecimentos políticos do mundo real foram adicionados aos quadrinhos a medida que aconteciam, como por exemplo as manifestações populares do ano passado. Hoje, o livro que teve suas primeiras edições custeadas pelos leitores, pode ser adquirido em versão impressa graças ao sucesso que obteve online.

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