Câmara impede cerveja em estádios de Curitiba

Entidades pressionaram vereadores durante votação

Por Felipe José da Costa Santos e Henrique Cordeiro Bastos

Torcedores se mobilizaram em diversos estados do país pelo retorno da venda de bebidas alcoólicas em estádios de futebol, mas tiveram a reivindicação frustrada. A prática está proibida desde 2010, pela Lei Federal nº 12.299 (artigo 13-A, inciso II) e, desde que foi imposta, gerou discussão em rodas de torcedores. Com a chegada da Copa do Mundo ao Brasil, no passado, a discussão ficou mais acalorada, pois a Federação Internacional de Futebol (FIFA) libera o uso de bebidas alcoólicas dentro dos estádios, sendo zero o índice de violência, servindo de argumento para os que são favoráveis a liberação.

A cidade de Curitiba tentou se juntar aos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Bahia e Espirito Santo, que são os estados em que a cerveja é liberada nos estádios.

A Câmara de Curitiba liberou em primeiro turno o consumo de cerveja nos estádios de Curitiba. A votação, que durou cerca de duas horas, foi cercada de polêmica e a acabou com 19 votos a favor e 11 contrários, mas foi modificada em segunda turno, quando os parlamentares decidiram manter a proibição. A segunda votação ocorreu no dia 14 de setembro, com 28 votos contrários e apenas 4 votos favoráveis à liberação.

Atleticano iniciou mobilização

O idealizador do movimento Libera a Cerveja, Mauro Fernando Singer Filho, fala como surgiu o movimento. “A faixa [pedindo a bebida no estádio] é minha e surgiu para lembrar os torcedores que temos que lutar por esse direito que tínhamos antes da Copa do Mundo. Primeiro, muitos atleticanos ficaram interessados, e fizemos um grupo. Depois, vimos que a causa era comum de outros times e, então, chamamos coxas e paranistas. O pessoal do Pierpaolo Petruzziello (vereador responsável pelo projeto) entrou junto nesse projeto”.

Mauro diz que a cerveja não tem nada a ver com as brigas que ocorrem dentro ou fora do estádio e que, com a liberação, não precisaria reforçar a segurança perto dos estádios, porque as brigas ocorrem nos bairros mais distantes e em terminais de ônibus. “Fora do estádio, tem tudo que é tipo de briga, não só de torcidas, e é completamente liberada a venda de bebidas em qualquer evento. Frequento estádios há mais de 20 anos e nunca briguei. É hipocrisia dizer que a culpa de brigas é da bebida”.

Torcedores têm opiniões diferentes

O torcedor Paulo Bueno diz que é a favor da liberação da cerveja. “Eu sou a favor, pois beber por beber os torcedores já fazem fora do estádio, e quem vai para brigar não é torcedor de verdade. Jogo de domingo sem cerveja é meio triste, né?”

Já para Mauri Nunes, dono de um bar perto do Couto Pereira, a proibição foi ruim para as vendas, mas ele é contrario à liberação da cerveja. “Depois da proibição, as vendas diminuíram, foi ruim para a gente. Mas, mesmo assim, continuo sendo contra a liberação. Para mim, isso só aumenta o índice de violência no estádio”

O Portal Comunicare entrou em contato com a Polícia Militar do Paraná, porém as perguntas não foram respondidas.

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Foto: Reprodução página Libera a Cerveja do Facebook.

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