Você sabe como é ser mesário durante as eleições?

Todos já ouviram falar do serviço de mesário. Mas como é, de fato, trabalhar como um? Porque as pessoas que já foram chamadas tem mais chances de voltar a função e quais são as vantagens do cargo?Por Eleonora Apolo

Foto: Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo

Quando o assunto é ser mesário, há quem torça o nariz. No entanto, a tarefa pode ser muito melhor do que se pensa: benefícios como horas complementares na faculdade, vale alimentação e vale transporte, folga no trabalho pelo dobro do tempo de serviço prestado, se for posto em edital é critério de desempate em concursos públicos e, quem sabe, até a oportunidade de conhecer o amor de sua vida? Sim, muitos casais hoje casados se conheceram no treinamento para mesários. Imagine as possibilidades.

Para ser mesário, há dois caminhos: ser convocado por meio de uma carta enviada pelo cartório ou, se estiver interessado, você pode se voluntariar. Este ano o treinamento para ser mesário começou no dia 10 de setembro, com 14 mil treinados só em Curitiba. Os estudantes que participaram receberam 14 horas complementares no primeiro turno, sendo 10 horas por turno, 2 horas pelo treinamento e mais 2 horas pelo dia da convocação. Para validar as horas complementares, o interessado deve procurar a secretaria do curso.

A professora responsável pelo treinamento dos mesários no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Curitiba, Luciana Conte Rubert Brukmueller, explica que há uma simulação sobre como será a eleição, para preparar os convocados. “Os mesários aprendem a mexer na urna, inventamos até candidatos em quem eles podem votar na simulação. O TRE também costuma disponibilizar cursos, como o de oratória, para auxiliar os mesários no exercício da função”, explica.

O convocado que não comparecer sem uma boa justificativa feita com antecedência no cartório estará sujeito a responder por crime de desobediência (Código Eleitoral, arts. 122 e 347), que prevê multa no valor de R$ 372, podendo ser prejudicado posteriormente ao tentar um concurso público. No caso de uma doença ou acidente que o impossibilite de comparecer no dia das eleições, o mesário também deverá justificar, assim que possível.

Mas pode ser que nem tudo seja uma maravilha no serviço de mesário. O estudante Enzo Fontana, convocado nas eleições deste ano, é contra a obrigatoriedade. “Achei chato e desnecessário. O TRE deveria oferecer remuneração por este serviço, pois é exaustivo passar tantas horas na sessão eleitoral”. Por outro lado, alguns convocados aproveitam a experiência. “Eu fui convocada para participar, mas achei o aprendizado interessante. Embora não seja muito a favor de comparecer por quatro anos consecutivos, a maneira como você aprende a trabalhar lá dentro é muito boa”, disse Janaína de Oliveira, também estudante.

 

Fechado para comentários.