O filme de estreia do diretor Jalil Lespert conta a trajetória do estilista prodígio Yves Saint Laurent
Crítica: Yves Saint Laurent

A trajetória do jovem estilista Yves Saint Laurent pelos olhos de Jalil Lespert

Por Gabriel Massaneiro

O filme de estreia do diretor Jalil Lespert, que também o escreveu o roteiro com Jacques Fieschi, conta a história de ascensão e (quase) queda do famoso e prodígio estilista Yves Saint Laurent, interpretado por Pierre Niney. Escolhido como diretor criativo da Dior com apenas 21 anos, o estilista conduz a grife com excelência, até o colapso nervoso devido à reação negativa da imprensa diante de sua recusa ao serviço militar. Após ser internado e diagnosticado com depressão, Yves se recompões e lança sua própria grife com a ajuda de seu companheiro, Pierre Bergé, aqui interpretado por Guillaume Gallienne. Daí em diante, o filme apresenta os altos e baixos da tempestuosa relação entre os dois, a atitude descontrolada de Yves diante das drogas, dos amigos e das festas e a mudança de um rapaz tímido para um bon-vivant, tudo narrado com moderação pelo personagem de Gallienne.

O filme de estreia do diretor Jalil Lespert conta a trajetória do estilista prodígio Yves Saint Laurent

O filme de estreia do diretor Jalil Lespert conta a trajetória do estilista prodígio Yves Saint Laurent

O ator responsável pelo papel de Yves, Pierre Niney, faz um excelente trabalho em sua atuação, acentuando o traço mais característico de seu personagem em cada ato, como a timidez durante o primeiro ato e o descontrole no terceiro. Essas inconstâncias fazem com que o espectador se importe com o personagem e o tornem tridimensional.

Além de Niney, Gallienne faz um excelente trabalho como Pierre Bergé. Ao contrário de Yves, Pierre é interpretado com uma personalidade constante e racional, partindo na direção contrária seguida pelo resto do filme, que é chega a ser caótico e, por vezes, emocional demais.

Apesar de ser relativamente curto (uma hora e quarenta e cinco minutos aproximadamente), o longa acaba prejudicado pela edição mal feita, que encurta varias sequências. Algumas cenas possuem segundos de duração, e não são apenas cenas de pouca importância, algumas são até essenciais para a compreensão total da história.

Mesmo com a edição confusa, a direção de arte segue exemplar ao longo de todo o filme. Os figurinos e a ambientação são perfeitamente adequados à situação histórica, agradando os olhos dos mais preocupados com a estética do cinema,e todos os modelos de vestimenta mostrados são todos representações fiéis dos desenhos de Yves.

Já a fotografia pode confundir em alguns momentos (como quando Yves elogia um vestido por sua cor quente mas ela parece fria para o espectador) mas é, no geral, um aditivo visual ao filme e, assim como o figurino, faz uma relação direta às décadas de 50 e 60.

“Yves Saint Laurent” não é o filme que seu diretor queria que fosse, suas falhas são por vezes maiores que suas qualidades, mas a cinebiografia não deixa de entreter. O grande trunfo, no final, é a estética geral adotada que é praticamente o sinônimo do cinema francês clássico.

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