Alguns cães chegam a entrar nos tubos para evitar o frio
Foto: Camila Beatriz Costa
229 mil cães circulam pelas ruas de Curitiba

Segundo a organização não governamental Sociedade Protetora dos Animais (SPAC) a população canina de Curitiba chega a 450 mil. Destes, quase metade está nas ruas

Giulie Hellen Oliveira de Carvalho

Em fevereiro deste ano, o caso dos dois cachorros atropelados por um motorista de ônibus no Terminal do Hauer chamou a atenção para o risco que os animais correm nas ruas. Há cerca de 229 mil deles na capital paranaense. Do total de 450 mil animais, 48% são semidomiciliados (possuem dono, porém ficam soltos nas ruas correndo atrás de automóveis, virando o lixo, mordendo pessoas e buscando cadelas no cio) e outros 3% são cachorros sem donos.

Alguns cães chegam a entrar nos tubos para evitar o frio Foto: Camila Beatriz Costa

Alguns cães chegam a entrar nos tubos para evitar o frio
Foto: Camila Beatriz Costa

Possuir um animal de estimação requer tempo, disposição e rendimento. Em tempos como as férias, verifica-se um número maior dos bichos nas ruas, em razão das famílias viajarem e não poderem levá-los. Ao invés de procurarem alternativas como deixar com familiares ou em abrigos, optam pela saída mais fácil.

O abandono é uma violação dos direitos animais¸ e quem agir desta forma estará cometendo crime de maus tratos, previsto em lei no artigo 3º do Decreto Federal 24.645/34 e no artigo 32 da Lei Federal 9.605/98.

Porém, esse é um problema antigo que atinge as grandes cidades. Os animais eram recolhidos das ruas e sacrificados, prática que em 2005 foi proibida. Hoje, a Prefeitura só realiza o recolhimento de animais agressivos, doentes ou que possam passar alguma enfermidade a seres humanos.

A capital encontra-se acumulada de animais circulando pelas ruas, praças e principalmente terminais de ônibus. Gerando desconforto aos passageiros que têm medo de serem atacados durante a espera do ônibus, aos motoristas que devem se preocupar com atropelamentos, aos comerciantes que servem de abrigo e também aos próprios moradores de rua de quatro patas, que buscam um cantinho, alimentação e afeto.

A passageira Maria Leonidas de Fonte se sente incomodada por não poder ajudar todos os cães. “Eu ando com álcool gel porque eu não resisto fazer carinho. Eu amo os animais. A Prefeitura tem que agir, eu acho isso um absurdo”.

Mario Sebastião da Silva, dono do Petshop Fofuxo, localizado no Terminal do Guadalupe, opinou que a ação de cuidados e abrigo para cães deve partir também dos cidadãos. “A Prefeitura juntamente com Estado deveria iniciar com os cuidados e colocar a sociedade para ajudar. Para o mundo ser um local melhor a sociedade tem que agir também.” Sebastião da Silva trabalha com banho e tosa de animais há oito anos.

Para combater a ascensão do número de cães em terminais e garantí-los uma vida digna e merecida, a Prefeitura de Curitiba junto a Universidade Federal do Paraná (UFPR) desenvolveu o projeto Cães Comunitários. Com recursos de R$200 mil aprovados pela Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná (FAP), os cães de rua que vivem nos terminais de ônibus serão identificados, castrados, vacinados e mantidos pela Rede de Proteção Animal da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA).

Para avanço na proteção e bem estar animal, a dona da ONG do Cão, Rita Ferreira da Silva comentou que, “A Prefeitura deveria ajudar também outras ONGS e pessoas que resgatam animais das ruas, não somente os que estão em terminais. Doando no mínimo pacotes de ração e apoiando financeiramente com anestesias e a castração dos resgatados. Tenho 400 cães, gasto 100 pacotes de ração por mês”, afirma Rita, que trabalha há 20 anos auxiliando cães retirados das ruas.

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