Aumenta presença policial no centro de Curitiba

Polícia Militar se estabelece em plantão nas regiões de alta criminalidade da cidade

Por Ana Clara Braga, Maria Fernanda Gusso e Marina Darie

A “Operação Sinergia”, realizada pela Polícia Militar (PM) do estado, teve início em agosto, com a ampliação do efetivo policial nas ruas: 107 agentes que costumavam ficar no quartel do Comando Geral agora passaram a fazer essa patrulha de reforço diariamente, com o auxílio de uma escala. A operação busca inibir crimes de furtos e roubos na capital paranaense, além de comemorar o aniversário de 163 anos da entidade.

O foco especial está na área da regional Matriz, que registra o oi3maior número de ocorrências de crime (1531), de acordo com o Mapa do Crime realizado até abril de 2017. Em segundo lugar está o Boqueirão (739), e logo em seguida está a localidade do Boa Vista (693).

 

O tenente Rafael Bittencourt explica que a ação da PM age de forma preventiva. “Ao ver o policial, a população fica com uma sensação de segurança. Ele é visto pela comunidade e pelos criminosos, de forma que evita o crime”, explica.

 

População opina sobre presença policial

Moradora do bairro Guabirotuba, Natália Delicoli aprova a Operação Sinergia. “Vejo isso como uma forma de segurança, pois oi2[os policiais], por possuírem um papel de superioridade, quem se sente ameaçado, no   meu ponto de vista, seriam as possíveis pessoas de má índole, ao passo que os moradores se sentem protegidos”. Natália, contudo, relembra que as ações policiais devem ser feitas de forma racional e por profissionais capacitados.

O estudante Gabriel Simões, morador  do Boqueirão, e apoia a operação no bairro. “Desde que não haja abuso de poder, eu sou a favor disso, pois transmite um ar de segurança para a população, já que é uma área um pouco perigosa”.

O comerciante Simon Bueno conta que notou um aumento de vigilância nos arredores da Praça Osório. “Nem sempre me sinto seguro na presença da PM, existem policias bons e policiais ruins. A dúvida gera o medo”. Bueno acha a polícia muito violenta e por isso tem receio com esse tipo de ação.

Em contrapartida, a feirante Maria José vê com bons olhos o policiamento na região central da cidade. “Essa área é muito perigosa, com a polícia me sinto mais segura para vender minhas mercadorias”. A  lojista conta que já viu muitos assaltos e acredita que agora os criminosos não terão mais a mesma coragem.

Especialistas debatem o assunto

A presença dos vigilantes é muito importante, segundo o sociólogo especializado em violência e controle social, Pedro Bodê.  O especialista afirma que, enquanto os limites democráticos, legais e não abusivos forem respeitados, a população aprova esse tipo de prática.

Ainda assim, existem alguns problemas com a atividade policial no Brasil, para o sociólogo. “Infelizmente, a polícia brasileira é muito arcaica. Ela é dividida em duas – Militar e Civil – e não possui um ciclo completo. Existem vários problemas organizacionais e administrativos que são antigos e muito debatidos”, salienta.

Bodê também ressalta sua preocupação com os níveis de repressão contra a população negra e periférica. De acordo com o Atlas da Violência de 2017, a cada 100 pessoas que são mortas no Brasil, 71 delas são jovens e pretas.

Segundo o historiador Luan Ferreira, sob uma perspectiva histórica, o Brasil pode ser considerado um país agressivo. “A desigualdade social e a formação de organizações criminosas trazem violência às ruas, e a camada que mais sofre é a população negra”.

Ferreira afirma que a visão distorcida da PM começou na época ditatorial: “No período da ditadura o comportamento militar ganhou mais intensidade e lastro por meio da disseminação do terrorismo ideológico e ao mesmo tempo reproduzia atos ligados ao passado colonial e escravista”, comenta. Para o historiador, a polícia atual, ainda mantém o perfil militarizado e preconceituoso.

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