Crescimento da “doença do beijo” preocupa especialista

A mononucleose é causada pelo vírus de Epstein-Barr e sua transmissão é através da saliva.

Por Riana Carvalho

Médicos em Curitiba estão preocupados com um surto que vem atacou crianças e jovens nas últimas semanas: trata-se do crescimento da mononucleose, conhecida como “doença do beijo”. As ocorrências diagnosticadas por médicos em consultório subiram de 10 a 15 por mês para este mesmo número toda semana.

A doença, pouco conhecida, é  causada pelo vírus Epstein-Barr, que é transmitido pela saliva, e, em consequência, pelo beijo na boca – donde o nome dado à doença.

O vírus, quando afeta crianças, não oferece grande risco, ao contrário de quando é diagnosticado em jovens e adultos. Os sintomas mais importantes são cansaço, febre, dor de garganta e inflamação nos gânglios linfáticos (componente importante do sistema imunológico do corpo e ajuda nos combates de infecções). O cuidado deve ser redobrado nas estações quentes porque as pessoas acreditam que por conta do tempo bom não correm o risco de contrair doença.

“A mononucleose não tem uma estação certa, ela pode se desenvolver a qualquer hora. E na cidade de Curitiba e Região está ocorrendo um surto dessa doença, o que deve aumentar muito o cuidado”, diz o médico clinico-geral Sérgio Todeschi.

A falta de informação é outro aspecto que preocupa os médicos, já que a doença pode se tornar extremamente perigosa. “Como o vírus se espalha pela saliva, muitas pessoas acabam contraindo-o sem saber, especialmente crianças e jovens. Contudo, a doença, que é conhecida como ‘doença do beijo’, não é transmitida apenas dessa maneira” diz Todeschi. Ele aconselha pais e jovens a “emprestar copos, utensílios pessoais e até mesmo conversar muito de perto com uma pessoa infectada acaba sendo perigoso”.

Ao atingir o quadro completo de mononucleose, a pessoa irá sentir por dias ou semanas uma sensação de mal-estar, em seguida irão aparecer febre (pode chegar até 39,5ºC), dor de garganta e o aumento dos gânglios linfáticos. A dor de garganta é, por vezes, insuportável, e na parte posterior forma-se uma substância semelhante ao pus. Outro problema que pode aparecer é o aumento de volume do baço e fígado, e a erupções cutâneas. Em casos mais extremos, ocorrem inflamação do tecido cerebral (encefalite), convulsões, alterações nervosas, inflamação do revestimento cerebral (meningite) e anomalias do comportamento.

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