Denúncias de preconceito racial crescem no Paraná

No mês da Consciência Negra, racismo fica mais presentes nas discussões

Por Caroline Deina, Sophia Cabral e Thais Camargo

Devido aos recentes casos de preconceito racial presenciados no Brasil, como o da atriz Tais Araújo e o da jornalista Maju Coutinho, o debate acerca do racismo ganhou ainda mais destaque, principalmente no meio virtual, e se refletiu no aumento do número de denúncias desse crime.

Só no ano de 2015, foram registradas 570 denúncias desse crime em todo país, até o mês de outubro, segundo a Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial. A questão também é preocupante no Paraná, que possui 224 casos registrados até outubro pelo Núcleo de Promoção da Igualdade Étnico Racial, com um crescimento de cerca de 510% comparado a 2013.

A injúria racial está prevista no Código Penal, podendo gerar uma pena inafiançável de um a três anos de prisão ao infrator, além de uma multa sem valor específico, dependendo de cada caso. Esse tipo de violência é caracterizado pela ofensa utilizando elementos de raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.

Casos assim são vivenciados por diversas pessoas diariamente, como conta Rafael Cardoso, que em 15 anos de experiência na área bancária, enfrentou muitas dificuldades para crescer dentro da empresa. Atualmente, como gerente da instituição, ele ainda sofre muito preconceito dos clientes e dos novos colegas de trabalho. Na opinião dele, as pessoas que não o conhecem o associam a cargos mal remunerados, como zelador, por exemplo, pelo fato de ele ser negro. “Desde o começo da minha carreira no banco as pessoas me diziam que eu estava indo atrás de uma profissão que não era ‘pro meu bico’. A grande maioria achava que, por eu ser negro, nunca teria espaço de destaque em uma grande corporação”.

Nas redes sociais, o racismo é ainda maior. Depois de ter atualizado o seu cargo no perfil do Facebook, o bancário relatou que até mesmo as pessoas conhecidas começaram a ridicularizá-lo, afirmando que a gerência de uma instituição é cargo para brancos.

Preconceito sai das redes

A estudante de zootecnia Luana Karla Silva Santos,  relata sofrer preconceito desde que era criança, mas que, ainda assim, procurou sempre levar “numa boa” as ofensas que recebia. “Sofro preconceito por ter assumido minha identidade usando meu cabelo natural. Eu sou apontada na rua e muitas pessoas zoam com meu cabelo, mas levo tudo na tranquilidade e nunca me estressei com isso”.

Para Luana, as precariedades na educação são as grandes responsáveis pelo preconceito. “Tanto na escola quanto em casa é necessário que os pais e professores se comprometam em formar pessoas melhores e mais tolerantes, assim teremos um mundo onde as pessoas respeitam as diferenças”.

A futura zootecnóloga conclui afirmando que apesar das ofensas, nunca sentiu necessidade de fazer a denúncia.

A estudante Maíse Macário também já foi vítima de preconceito racial fora do meio virtual. Maíse conta que sofre preconceito desde criança, e foi na adolescência que começou a se sentir atingida com algumas ofensas e comentários racistas. Já na vida adulta, a estudante ainda continua sofrendo com piadas, brincadeiras e comentários preconceituosos, inclusive de pessoas que eram amigas e moravam na mesma república. ”Creio que faziam isso até mesmo sem notar a gravidade dos fatos, agiam como se fosse uma simples brincadeira”.

Com relação as denuncias, Maíse explica que nunca recorreu à justiça por se tratar de pessoas conhecidas e querer evitar maiores confusões. “Quando consegui agregar forças suficientes para tratar do assunto, conversei seriamente com as pessoas envolvidas e tentei resolver a situação com a conversa mesmo”, confirma.

Saiba como denunciar

  • Disque 156, opção 7 para denunciar racismo ou injúria racial

  • Telefone para a Policia Civil – Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber) pelo número (41) 3321-1900

  • Envie um email para cibercrimes@pc.pr.gov.br

  • Vá até a delegacia, através do endereço em Curitiba (Rua José Loureiro 540, Centro)

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