Lixo reciclável tem descarte irregular em Curitiba

Apesar de ser um tema discutido há anos, ainda existem problemas para separar o lixo corretamente

Por Thaise Borges

A capital paranaense tem uma fama internacional por criar diversos programas de reciclagem. O mais conhecido é o “Lixo que não é lixo”, em que caminhões recolhem detritos reaproveitáveis em toda a cidade três vezes por semana, e o Câmbio Verde, que é a troca de lixo por alimentos. Do total que vai para a reciclagem, apenas 57,32% são efetivamente reaproveitados.

O professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Christian Luiz da Silva, fez uma pesquisa sobre desenvolvimento sustentável em que compara a situação de Curitiba com outras quatro capitais de porte populacional semelhante. A taxa de reaproveitamento do material reciclado é a segunda pior, ficando atrás apenas de Recife (43,35%). Em Belém e Manaus, onde os catadores tem papel relevante e já fazem separação seletiva na coleta, a taxa de reaproveitamento é de quase 100%.

“O volume coletado nessas duas cidades é baixo, mas o aproveitamento é quase total. Em Curitiba, o lixo que vai para o caminhão tem muita mistura”, observa Silva. Segundo ele, nos anos 1980 a capital paranaense conseguia reciclar quase 10% do total coletado, mas o índice foi caindo gradativamente, ao longo dos anos.

“É preciso incutir um comportamento cultural de reciclagem por meio de ações de marketing continuadas, permanentes. A situação atual é fruto de ausência de política continuada, especialmente de educação ambiental”, afirma.

Um problema que atinge Curitiba é o alto custo da gestão de resíduos. A despesa com limpeza urbana na cidade chegou a R$125,34 reais em 2014, o que representa aumento de 47,3% em relação a 2008, já descontada na inflação. “No comparativo com as demais capitais o custo não é tão elevado, mas subiu muito, e acende o alerta para a necessidade de se repensar o sistema”, diz o professor.

Apesar de a reciclagem ser um tema debatido há muitos anos, ainda existem pessoas com dificuldades para descartar corretamente o lixo. O síndico de um condomínio residencial, Roberto Araújo relatou que este problema não acontece só com pessoas de classe baixa sem escolaridade, mas sim com todos. “Eu sinto muita dificuldade para ensinar os moradores a separar o lixo corretamente. Eles têm muita preguiça de jogar cada objetivo em seu lugar e acabam misturando tudo. Os carrinheiros rasgam os sacos e pegam o que interessa. Na frente do condomínio fica uma bagunça”, relata Roberto.

Além da coleta dos caminhões, os catadores de lixo reciclado ajudam na limpeza da cidade. Porém, eles só recolhem recicláveis, deixando o restante para trás. “O problema é que eles rasgam as sacolas, mexem no lixo inteiro para pegar só latinhas e lixo reciclável. Todas as vezes que eu vejo um deles mexendo no lixo do meu condomínio, eu alerto eles para deixar organizado depois”, conclui o síndico.

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