Grupos estiveram na rua IX de Novembro para protestar 
Foto: Daniel Malucelli
Manifestantes protestam a favor do feriado da Consciência Negra

Cancelamento do feriado gerou revolta de movimentos negros que foram as ruas nesta terça 

Daniel Malucelli

Nesta terça-feira (12), cerca de 60 manifestantes do movimento negro de Curitiba protestaram contra o cancelamento do feriado da Consciência Negra, dia 20. Eles iniciaram o protesto em frente ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) no início da tarde, e após não serem recebidos, foram ao Centro da cidade, por volta das 15h30, em frente à sede da Associação Comercial do Paraná (ACP).

Com gritos de “não ao racismo” e “sim ao feriado”, os grupos deixaram claro que não aceitam a atitude dos comerciantes. “São várias entidades, ligadas ao movimento negro, entidades sindicais. Hoje nós estamos questionando a ACP pela decisão contrária deles”, disse Jaime Tadeu da Silva, membro da Associação Cultural de Negritude e Ação Popular. “Fomos falar com os vereadores, e eles são a favor do feriado”, completou Jaime.

 

Grupo ganhou apoio de várias pessoas que passavam pelo Centro  Foto: Daniel Malucelli

Grupo ganhou apoio de várias pessoas que passavam pelo Centro
Foto: Daniel Malucelli


Confusão e discórdia

Grupos estiveram na rua IX de Novembro para protestar  Foto: Daniel Malucelli

Grupos estiveram na rua IX de Novembro para protestar
Foto: Daniel Malucelli

O feriado municipal do dia da consciência negra, marcado para o dia 20 de novembro em homenagem ao Zumbi dos Palmares, está causando muita discussão na cidade de Curitiba. Isso porque a ACP entrou com uma liminar no Tribunal de Justiça do Paraná, alegando Ação Declaratória de Inconstitucionalidade (ADI), para cancelar a data. O TJ concedeu a liminar à ACP e causou muita discórdia entre movimentos negros e vereadores da cidade.

A decisão do Tribunal de Justiça é provisória. “Essa decisão é de caráter provisório, uma vez que o mérito sobre a inconstitucionalidade da referida lei será apreciado oportunamente”, divulgou o tribunal em nota oficial.

Para a ACP, o Tribunal respeitou o principio federativo. “A decisão é de grande importância para a economia local, já que um dia de paralisação das atividades econômicas, representaria um prejuízo de R$ 160 milhões. Nós não nos colocamos em disposição contrária à comemoração cívica e histórica da data, mas não abrimos mão da atitude democrática em defesa dos interesses da sociedade”, disse o presidente da ACP, José Eduardo Sarmento.

Representantes da comunidade negra de Curitiba estiveram reunidos com os vereadores no dia 5 de novembro para discutir e exigir uma posição do legislativo. A câmara de vereadores de Curitiba vai entrar com recurso junto ao Ministério Público a favor dos movimentos negros, contra o cancelamento do feriado.

Após a discussão com os movimentos, alguns vereadores se pronunciaram por nota oficial. “A cidade que é considerada a mais negra do sul do país, em pleno século XXI, ainda tem pessoas que diferenciam os seres humanos pela raça. Estamos à mercê desses senhores de engenho do século XXI, que só visam o lucro”, afirmou Mestre Pop (PSC), que é negro e repudiou a ação da ACP.  Pedro Paulo (PT) foi outro que apoiou. “Declaro meu apoio para que esta Mesa consiga derrubar esta liminar”.

 

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