Para Ingrid Oliveira, 21, as mulheres são mais cuidadosas que os homens no trânsito.
Mulheres trabalhando no transporte público curitibano

Participação de mulheres no transporte público tem se destacado no mercado atual

Camila Beatriz Costa

Segundo o sociólogo Marcos de Franco, 57, a primeira mulher a dirigir um ônibus foi Maria Isabel de Castro há 27 anos, em uma linha que ia de Curitiba a Pinhais. Que o mercado de trabalho está muito mais acolhedor para as mulheres já é fato, afinal alguém não contratar uma pessoa por ser do sexo feminino pode ser considerado discriminação e crime, pois está na Constituição Brasileira de 1988, no 5° artigo, que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

A cobradora de ônibus Sirley Alieve, 48, comenta que a entrada nesse mercado foi um tanto quanto fácil. “Fiz um curso de três dias no SEST SENAT e mandei meu currículo para a URBS”, comenta. A cobradora afirma nunca ter sofrido preconceito tanto dos colegas de trabalho como dos usuários do transporte público curitibano.

Para Ingrid Oliveira, 21, as mulheres são mais cuidadosas que os homens no trânsito.

Para Ingrid Oliveira, 21, as mulheres são mais cuidadosas que os homens no trânsito
Foto: Camila Beatriz Costa

Diferente do que pensa sua colega de trabalho, a cobradora Sandra Regina do Nascimento, 40, que alega que já sofreu preconceito indiretamente e defende que esse tipo de atitude depende da educação que a pessoa adquire quando ainda é criança. “Existem pessoas de todos os tipos. Tem gente educada, tem gente que não é, isso vem de berço”, diz.  Sandra afirma ainda que existem grandes oportunidades de crescer dentro desse setor, tendo a possibilidade de entrar na empresa URBS ou ser promovida ao cargo de motorista.

Para o engenheiro elétrico Valmir Schlottag, 61, a mulher tem tanta capacidade quanto um homem para exercer qualquer tipo de trabalho, e alega que o motivo da demora do ingresso das mulheres nesse mercado era o sexismo das empresas por acharem que mulheres tinham menos força ao volante.
A estudante de enfermagem e passageira frequente de transporte público Ingrid Oliveira, 21, comenta que ainda existem muitas pessoas com certo preconceito, mas para ela a integração da mulher no transporte público é algo bom, pois prova que a sociedade está mais aberta para mudanças.

Segundo o sociólogo Marcos de Franco, o ingresso das mulheres nesse trabalho e em vários outros antes considerados “trabalho para homens”, nada mais é do que o reflexo da conquista das mulheres em todos os campos. “Você vê advogadas e médicas, por exemplo. Todos os campos hoje estão sendo conquistados pelas mulheres, em razão dessa luta que elas travam desde os anos 60 por igualdade, direitos iguais e reconhecimento. Então é lógico que não existem mais fronteiras de trabalho para as mulheres, pois elas já se mostraram capacitadas para qualquer campo, seja no trabalho de escritório, até mesmo na engenharia que nunca foi o meio delas”, completa.

O sociólogo alega que um dos motivos da demora para as mulheres entrarem nesse mercado de trabalho é a discriminação. “Se você pegar até algumas ‘brincadeiras’ você vê que é um ponto onde a mulher sempre foi descriminada. Têm aquelas frases ‘mulher no volante, perigo constante’, ‘mulher é barbeira’, a mulher sempre foi descriminada.” O sociólogo ainda defende que não existem barreiras físicas ou psicológicas entre homens e mulheres para o trabalho de igual para igual, tanto no serviço de transporte público como para qualquer outro trabalho.

O motorista do transporte público de Curitiba Márcio Gonçalves, 43, afirma que gosta e garante que mulheres possuem a mesma capacidade que homens para qualquer tipo de tarefa. “Eu acho inovador e bonito mulheres dirigindo e não tenho preconceito algum perante a essa situação”, diz o motorista que trabalha há 20 anos no transporte público curitibano.

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