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Uso excessivo de celular pode gerar problemas psicológicos

Vício em tecnologia é novo alvo de estudo

Por Luiz Guilherme Ribinski e Loraine Mendes

O bloqueio no aplicativo de troca de mensagens instantâneas WhatsApp, ocorrido no começo do mês de maio, revelou uma grande preocupação na psicologia e em estudiosos do comportamento, já que o vício em tecnologia pode se tornar doença.

O vício em celulares já é considerado distúrbio psicológico, descrito por especialistas como “nomofobia”, ou, derivado do inglês, no-mobile-phobia (medo de ficar sem celular).

De acordo com a psicoterapeuta e professora do curso de psicologia da PUCPR Renate Michel, o homem sempre teve a necessidade de identificação, de se relacionar com outras pessoas. Contudo, segundo a professora, a facilidade de acesso à internet provoca uma sensação de estar conectado a todo o momento, de querer saber o que ocorre em todo o lugar, gerando sujeitos dependentes dos aparelhos.

O uso excessivo e a dificuldade de certas pessoas em se relacionar são alguns dos fatores elencados por Renate que desenvolvem o transtorno mental. “Existem famílias que, mesmo reunidas, não conversam entre si, cada um fazendo coisas de seu interesse, na maioria das vezes interagindo virtualmente”, observa. Esta realidade, segundo a professora, é preocupante.

“O contato virtual não substitui a conversa falada e ouvida, e muito menos o contato físico.”, completa.

  Tecnologia causa mudanças de hábitos

O técnico de suporte operacional Álvaro Henrique Silva, 23 anos, conta que passa em torno de dez horas em frente ao computador, além de sempre estar conectado a um telefone celular. Silva revela que a tecnologia afeta diretamente o seu estilo de vida. Ele não pratica exercícios e está acima do peso ideal.

Pedro Guilherme Ferreira leva um estilo de vida semelhante. É estudante de Direito, e, com 22 anos, também não pratica nenhum tipo de exercício. “São incríveis as possibilidades que a tecnologia nos proporciona, podemos fazer quase tudo virtualmente, porém, o exercício físico acaba ficando de lado”, acrescenta.

Mais celulares que pessoas

Em relatório, divulgado em abril do ano passado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), observa-se a grande adesão dos brasileiros aos celulares. Existem cerca de 283,5 milhões de linhas de telefonia móvel no país, o que representa uma média de 1,38 por pessoa.

 

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