Estabelecimentos amigos da causa têm espaço exclusivo para promover seus pratos |Créditos: Talita Souza
Vereadores propõem “segunda sem carne” em escolas de Curitiba

Escolas da rede municipal podem substituir carne por proteína vegetal uma vez por semana

Por Camilla Ginko, Heloisa Negrão e Talita Souza 

Um projeto que pretende trocar a carne vermelha por proteína vegetal na merenda escolar às segundas-feiras foi apresentado na Câmara Municipal de Curitiba Proposto no último dia 8, pelos vereadores Goura (PDT), Fabiane Rosa (PSDC) e Katia Dittrich(SD). O objetivo é provocar conscientização sobre a questão nutricional no ambiente escolar. A substituição poderá resultar em  economia semanal de R$ 204 mil, considerando o custo para refeições para 10 mil alunos cadastrados na rede pública.

O projeto “segunda sem carne” foi protocolado no dia 1° de agosto. A proposta será dirigida para avaliação da procuradoria jurídica da Casa e, depois de analisada pelas comissões temáticas do Legislativo, segue a plenário. Se aprovada, poderá virar lei após sanção pelo prefeito, Rafael Greca (PMN).

Goura aponta que o programa visa, além do incentivo à uma alimentação mais saudável, o aprofundamento e debate diante desse tema. “Além da redução de custo e a compreensão do que a carne causa para o organismo, a intenção é buscar uma conscientização sobre os impactos ambientais, na consequência dos atos do ser humano e pela redução do sofrimento animal”.

O parlamentar também reforça que “o foco projeto não é uma redução do orçamento da secretaria” destinado à alimentação dos estudantes. Ele afirma que “a preocupação maior é buscar atender a necessidade e trazer o papel educativo da alimentação e essa conscientização das crianças”.

Empregada há dois meses, Simone Souza Costa busca uma vaga no ensino integral para a filha de sete anos, matriculada no segundo ano escolar da Escola João Cruciani, no bairro Campo Comprido. Mesmo considerando o projeto muito bom, ela conta que a menina tem medo de almoçar na escola por ser intolerante a alguns alimentos.

Nutricionista defende alimentação equilibrada

A nutricionista Viviane Milliorin, alerta para a importância de uma alimentação equilibrada nas escolas. “A nutrição faz parte do desenvolvimento das crianças. Por isso, antes de colocar um alimento no cardápio tem que pensar muito, contudo devemos transmitir que nenhum alimento é proibido, apesar das restrições nas escolas, mas a quantidade dele que faz a diferença”.

Ela complementa falando do projeto. “A carne vegana vai trazer todos os benefícios vegetais. Todavia, vale lembrar que alguns nutrientes que nosso corpo necessita só encontramos na carne. O vegetariano por exemplo vai buscar seus complementos em outros alimentos, mas o interessante é intercalar uma vez na semana”.

Um estudo publicado em outubro de 2016 por pesquisadores da universidade Harvard associou aumento do consumo de proteínas animais como carne, ovos e laticínios com maior risco de vida por doenças cardiovasculares. Foram 30 anos de pesquisa com 131.342 voluntários entre mulheres e homens de idades variadas.

 

App oferece delivery de comida vegetariana

Desde julho deste ano, Curitiba tem uma opção de delivery exclusivamente vegetariano. O aplicativo BeVeg, que surgiu em 2014 como uma lista de locais com opções para vegetarianos e veganos, agora oferece o envio de pedidos em toda a cidade. Além do incentivo à redução do consumo de carne, o conceito que vem dos curitibanos Tom Barros e Vivian Schmitz faz parte de um nicho de mercado em crescimento.

Segundo um dos criadores do app, Tom Barros, a ideia surgiu quando ele estava iniciando no vegetarianismo. O objetivo era disponibilizar uma lista de lugares que tivessem essas opções, já que “a maioria das listas presentes na internet estavam desatualizadas”. Também havia a expectativa em gerar uma conscientização sobre o tema. “Isso faz parte do nosso trabalho, informar que é possível. O que a gente quer é tornar mais acessível a comida vegana e vegetariana”.

Com o crescimento e possibilidade de expandir os negócios, em agosto do ano passado a inclusão de delivery passou a ser planejada. O serviço de entrega é feito pelos próprios funcionários do app.

Desde que o novo recurso foi adicionado, a forma de monetização passou da publicidade na própria plataforma para a cobrança de 15% do valor de cada pedido. Só no primeiro mês de funcionamento, aproximadamente 400 pedidos foram feitos, de acordo com Tom. Ao todo, já são quase cinco 5 mil downloads na Play Store.

Proprietária da Opte Pizza, Tânia Moroz, está cadastrada no BeVeg há cerca de seis meses. Ela explica como funciona o processo: “Saem, em média, de cinco a seis pedidos por noite pelo BeVeg. O motoqueiro deles vem buscar e depois eles fazem o repasse para a gente.” O cardápio do lugar conta com mais de 20 opções de pizzas veganas em sabores como brócolis e “carne” de jaca.

Outra novidade são os produtos orgânicos que podem ser comprados diretamente do produtor através do recurso. A lista com estabelecimentos próximos continua ativa e funciona em qualquer lugar por geolocalização.

Baixe o BeVeg pela PlayStore aqui 

Veganos e vegetarianos pedem mais opções na cidade

Adepta da causa vegana, Mayume Christine Minatogawa, 20 anos, diz que gostaria de mais variedade em restaurantes e mercados da cidade. “Por mais que Curitiba seja considerada a capital vegetariana, ainda faltam restaurantes, além do que seria interessante se todos os estabelecimento tivesse pelo menos uma opção vegana. Outro ponto que seria relevante seria nos mercados terem maiores variedades de produtos, tanto na parte da alimentação quanto de higiene”.

O médico Luiz Felipe Kavales, 26 anos, conheceu o app por conta do Veg Veg, um dos restaurantes cadastrados na plataforma, que já frequentava. Há cerca de três meses, ele iniciou um processo para se tornar vegetariano e passou a usar o BeVeg pela praticidade. “Muitas vezes eu estou ocupado com alguma coisa e não posso me deslocar pelo estabelecimento. Posso pedir que eles trazem. Cada dia surgem restaurantes novos ali, facilita muito nossa vida”.

O dado mais recente sobre vegetarianismo no Brasil é de 2012. Uma pesquisa realizada pelo Ibope nas principais capitais do Brasil mostra que 8% da população brasileira é vegetariana. Entre as cidades pesquisadas, Curitiba fica em segundo lugar – atrás apenas de Fortaleza – com 11% dos moradores adeptos a esse estilo de vida. Apesar da expectativa de crescimento desse número, se a porcentagem se mantivesse, hoje isso corresponderia a cerca de 208 mil pessoas.

Conheça apps semelhantes

O aplicativo Happy Cow, criado em 2011, funciona nos moldes antigos do BeVeg, com uma lista de restaurantes veganos e vegetarianos alimentada colaborativamente no mundo todo. O Velivery tem opções de delivery 100% vegetariano nas cidades de Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ) e Fortaleza (CE). Já o Maetless alimenta São Paulo e região.

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