Curitibanos não precisam se preocupar com a alta da cotação.
Alta do dólar passará desapercebida

Aumento do preço da gasolina pode ser o único a chamar a atenção da população

Caio Liberal

Curitibanos não precisam se preocupar com a alta da cotação.

Curitibanos não precisam se preocupar com a alta da cotação
Foto: Vitor Cruz

A valorização do dólar, de acordo com o diretor de pesquisas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Júlio Suzuki, é reflexo de dois fatores: o contexto econômico mundial que está voltando à normalidade, com os recursos saindo dos países emergentes e indo aos EUA, e do fraco crescimento da economia brasileira nos primeiros meses do ano. Suzuki indica que esse panorama atual culmina numa descrença generalizada na economia brasileira. “Quase todas as moedas se desvalorizam perante o dólar, mas o real é uma das que mais está se desvalorizando”, declara.

Se a alta do dólar perdurar, o curitibano pode encontrar na inflação, consequência também da valorização da moeda estrangeira, o maior problema para o seu bolso. Caso a inflação atinja o custo dos combustíveis, podem ocorrer efeitos multiplicadores, pois uma vez que o transporte fica mais caro, quase tudo fica mais caro.

REPASSE IMEDIATO

Produtos nacionais não sofrerão acréscimo no preço final por ser de mercado exclusivamente interno. Porém, certos produtos importados vendidos em supermercados podem sofrer alteração no custo. “O único repasse que é, de fato, imediato é o dos produtos importados que vão diretamente às prateleiras, como vinhos, chocolates finos e outros produtos de consumo mais pontual e refinado”, é o que revela Valmor Rovaris, superintendente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras).

Além desses produtos mais seletos, o preço de equipamentos eletrônicos também pode sofrer leve aumento, como indica Carlos Bittencourt, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecom-PR). “O celular é só montado no Brasil, uma grande parte dos seus componentes são importados. Então, quando uma empresa está importando, ela terá um impacto da elevação da moeda estrangeira que é o dólar”. Embora a alta do dólar influencie diretamente na compra de peças importadas por parte dos empresários, o repasse do preço final aos consumidores é quase mínimo. “As empresas estão segurando esse preço. Os empresários ainda não repassaram o aumento para a clientela, eles estão diminuindo a margem de lucro deles”, completa Bittencourt.

IMÓVEIS E TURISMO

Para os curitibanos que buscam comprar imóveis nessa época de inflação e alta do dólar, a notícia é animadora. João Fernando Piovesan, gerente financeiro de uma imobiliária, afirma que os preços dos imóveis na cidade já estão ajustados e que a valorização do dólar não significará aumento da do valor das moradias. “A compra de terrenos por parte das imobiliárias de capital aberto em concorrência com as regionais ocorreu em 2005. O ciclo se termina agora, na época das entregas. As pessoas que têm interesse em adquirir a casa própria hoje tem uma grande oferta, com direito a escolha”, afirma.

De acordo com Ademir Barboza, diretor executivo do Sindicato das Empresas de Turismo do Paraná (Sindetur-PR), a alta do dólar pode apenas retardar as viagens dos curitibanos interessados em turismo de compras, principalmente nos EUA. “Quem está planejando viajar para o exterior já está economizando. Os pacotes já tem o preço fixado há muito tempo, não há reajuste. O que a alta do dólar pode reverter são nos gastos extras”, finaliza.

 

 

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