Páscoa terá menos vendas na indústria e artesanato

Ovos de chocolate diminuíram de tamanho devido à crise

Por Amanda Mann, Nicolle Heep, Vinicius Scott

A expectativa de vendas com a Páscoa deste ano caiu 12,2% em relação a 2015, segundo uma pesquisa feita pelo Departamento de Economia da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O estudo, divulgado em fevereiro, também revela que 39,5% dos empresários acreditam que as vendas serão menores este ano. O cenário reflete também em Curitiba.

Em resposta ao baixo número de vendas devido à crise, as empresas venderão ovos em média 150g menores que em 2015. A medida é para “produzir mais com menos” e baratear o acesso aos ovos para um público com menos poder de compra, aponta o vice-presidente de chocolate da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), Ubiracy Fonseca.

 

Consumidor está disposto a gastar menos

Uma enquete feita pelo Portal Comunicare, com 20 pessoas, aponta que 45% dos entrevistados não irão comprar ovos de Páscoa este ano. Além disso, 80% afirmam que os gastos com a data festiva serão reduzidos em relação ao ano passado.

Isso se reflete nos consumidores, como é o caso do estudante Vinícius Doca, que compra chocolates caseiros nas ruas do centro de Curitiba. Ele afirma que, além de mais baratos, os doces são “mais gostosos”. O estudante Mateus Indart contou que prefere comprar barras de chocolate no lugar de ovos de Páscoa, pois oferecem uma quantidade maior do doce por um preço mais baixo.

A crise também vai afetar o setor de chocolates caseiros, conforme dito pela confeitaria Bruna Chocolates Caseiros . Ela vende ovos de colher para a Páscoa, porém estima um lucro cerca de 37,5% menor 2015.

Para os que preferem um doce mais personalizado na Páscoa, há diversos chocolateiros caseiros espalhados por Curitiba. Beatriz Arte Confeitaria oferece chocolates em embalagens feitas à mão e o cliente é que define o preço e a quantidade. As receitas são herença da avó de Beatriz Matoso e o carro chefe é o pão de mel. Outras opções são o beijinho de páscoa, brownies e o mini-bolo de Nutella. “Sobre faturamento, não revelo valores, prefiro trabalhar com faixas de um a três salários mínimos. Com certeza, os lucros serão inferiores ao ano passado”.

 

Exceção: Procura por chocolates caseiros aumenta

Rose Petenucci, que trabalha ná área há 26 anos, diminuiu o tamanho dos produtos para atender a crise. A loja estima um faturamento de 15% a mais que 2015, mesmo tendo uma diminuição nas encomendas para empresas. “O acréscimo em vendas seria decorrente de uma valorização do artesanal e caseiro que tem atraído novos cliente para nossa loja”, conta o administrador da empresa, André Meissner. Os doces mais vendidos são os ovos de colher, em sabor brigadeiro e strognoff de nozes.

Devido à crise, os chocolates caseiros podem prosperar oferecendo sabores e qualidade que as grandes empresas não fornecem, aponta o consultor financeiro Altemir Farinhas. A divulgação deve ser feita por meio de rede sociais e o chocolateiro deve fazer uma pesquisa de mercado na vizinhança para saber quais são as preferências do consumidor. “O brasileiro gosta de chocolate. Conheci uma moça que pagou a faculdade vendendo bombons caseiros; logo é um bom negócio para gerar uma renda extra”.

 

Economize nesta Páscoa seguindo quatro passos

O consultor financeiro Altemir Farinhas enumera quatro dicas para economizar na Páscoa:

  1. Faça uma lista dos futuros presenteados e anote os valores. Os valores dos ovos estão elevados próximo à data; então, se possível compre depois do feriado na promoção;
  2. Os brindes dentro dos ovos são uma “pegadinha”. É melhor comprar brinquedos de melhor qualidade e um chocolate em tablete ou barra para as crianças;
  3. As empresas diminuiram o tamanho dos ovos, mas o preço deles está praticamente o mesmo que ano passado. Tenha isso em mente na hora de fazer as compras;
  4. Compensa mais comprar chocolates em tablete ou bombons no lugar dos ovos. Os valores dos ovos não proporcionam a mesma quantidade de chocolate.

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