Restaurantes veganos mudam estratégia contra crise

Mudanças em rótulo, embalagem e tamanho das porções estão entre as medidas

Por Luiz Guilherme e Stella Prado

Estabelecimentos e restaurantes veganos de Curitiba estão buscando meios para sobreviver e não diminuir seus lucros no período de crise. Com os consumidores economizando mais, as empresas encontram alternativas para chama-los. Porções menores e com preço mais baixo são algumas das estratégias usadas para enfrentar o período difícil.

A empresária Caroline Ferreira, 29 anos, proprietária do Empório VegVeg, localizado na galeria Osório, em Curitiba, revela que os impactos da crise econômica são inegáveis no mercado e que vem percebendo diminuição no faturamento desde dezembro do ano passado. “Sabemos que o consumidor economizará onde pode; então, temos que nos adequar”.

Para não sair no prejuízo e atrair o consumidor mais comedido, a empresária tem colocado em prática algumas ações simples. O rótulo e a embalagem, por exemplo, encarecem muito alguns itens; então, este ano, os clientes do estabelecimento também terão opções a granel. Como o ideal do empório é oferecer produtos para todo tipo de consumidor, Caroline mantém na loja mais de mil produtos em versão mais cara e, também, em versão mais barata.

Já o empresário Vinicius Zanona, 31 anos, sócio da hamburgueria Mamba Vegan, inaugurada em fevereiro de 2015, no bairro Mercês, em Curitiba, diz que, neste ano, o lucro do negócio não foi afetado, mesmo com a instabilidade política atual. “Obviamente, se algo sério acontecer nesse cenário, podemos ter também em nosso setor um balanço negativo”, diz.

Consumidor pode apostar em feiras e sacolões

Para o cozinheiro Renan Toledo Sandalo, 25 anos e vegano há seis anos, é muito mais fácil se alimentar bem e gastar pouco. “Mesmo com pouco dinheiro, vegetais, frutas e verduras são mais baratos do que carnes, ovos e laticínios”. Uma alternativa para quem tem pouco dinheiro, segundo o cozinheiro, é comprar em sacolões e feiras, podendo até fazer reciclagens em resto de feira, pois muitos alimentos acabam sendo descartados estando em perfeitas condições de uso.

A nutricionista Astrid Pfeiffer confirma que o modo de vida que cada pessoa leva é o que pode determinar os gastos. “Em qualquer dieta, existe a possibilidade de quanto você quer e pode gastar, e não há exceção na dieta vegetariana restrita quanto a isso”, diz. Astrid confirma que não é difícil montar uma dieta livre de exploração animal, saudável e barata. Segundo ela, a proteína presente na carne encontra-se também em leguminosas como feijões, lentilha, grão de bico, e é mais barata do que comprar algo industrializado ou um pedaço de carne em açougues.

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